segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O último Lance no Escuro...


Já dizia um certo músico que não há coisa mais preciosa no mundo do que os amigos. E por isso, dediquei o 60.º e último episódio d'Um Lance no Escuro à amizade, com dois convidados muito especiais, com quem partilhei muitas aventuras da vida académica e de tudo o que a rodeia. O resultado foi uma conversa com muita coisa parva, alguns apontamentos sérios, e umas notas comoventezinhas de despedida. Avisa-se que há uma referência a este blog a minutos tantos. O podcast pode ser escutado na barrita de baixo, ou então podem descarregá-lo aqui.

UM LANCE NO ESCURO 51



E foi assim: feitas as contas, 4 anos e 60 emissões depois (contando com as 9 feitas na RSC), o meu "pequeno filho radiofónico"chegou ao fim. Resta agradecer, do fundo do curassum, a todos aqueles que por cá passaram e tiveram a paciência de conversar comigo perante os microfones da RSC e da Rádio Autónoma. Esta é a minha derradeira homenagem (meio rasca) às pessoas que tornaram o programa um espaço tão rico de ideias, risos e tantas outras coisas. Os programas continuarão disponíveis na internet. E agora, resta partir para novas aventuras (quem sabe se na rádio também?). Obrigado aos convidados, a todos os que ajudaram a produção deste programa, e claro, obrigado aos ouvintes. Até qualquer dia!

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Um Lance no Escuro... com os fundadores da Rádio Autónoma!


Antes da derradeira despedida (que passa na próxima semana), decidi dedicar o penúltimo Um Lance no Escuro à rádio que o acolheu nos últimos 3 anos. Por isso, fui conversar com João Santareno de Sousa e Tiago Crispim, os fundadores da Rádio Autónoma, e com quem aprendi muito ao longo destes episódios todos. Foi uma emissão muito descontraída e divertida, e espero que seja do vosso agrado! Podem ouvir na barrita em baixo, ou então, fazer o download do podcast aqui.


UM LANCE NO ESCURO 50

terça-feira, 26 de julho de 2016

Um Lance no Escuro... e Pedro Vieira!



O Pedro Vieira é um extraordinário indivíduo de múltiplos talentos (na televisão, no mundo da literatura e muito mais) é o convidado de hoje do Lance, naquela que é a 58.ª e antepenúltima emissão. Uma emissão divertida sobre livros, experiências de vida... e filmes. Podem ouvir tudo na barrita de baixo, ou então há sempre a hipótese de levar o podcast para todo o lado - para tal, é só ir aqui.


UM LANCE NO ESCURO 49

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Um Lance no Escuro... e José Ruy!


O programa aproxima-se do fim, mas até lá, prometo trazer-vos convidados muito interessantes. Esta semana, foi a vez do lendário José Ruy, mestre da BD, uma das maiores referências da nona arte portuguesa, e um enorme artista com muitas histórias para contar. Foi um prazer conhecê-lo e visitar o seu estúdio, onde estava a preparar mais um álbum. Um génio com 86 anos que não pára! Aqui fica a conversa em baixo (ou então, podem descarregar o podcast aqui).
UM LANCE NO ESCURO 48

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Um Lance no Escuro... e João Braz!


Dias antes de Portugal vencer na competição europeia do jogar à bola, houve Um Lance no Escuro e o convidado foi o montador João Braz. Uma conversa riquíssima em histórias do cinema e outras coisas mais, que podem ouvir aqui em baixo (ou então, levem-nos para todo o lado, descarregando o podcast).


UM LANCE NO ESCURO 47

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Mais partilhas

Eis outro daqueles posts em que referencio coisas que faço para outros sítios.


Mais uma quarta-feira, mais Um Lance no Escuro! O convidado desta semana José Hartvig de Freitas, consultor das colecções de BD da Levoir e um dos colaboradores da editora G-Floy, é o convidado desta emissão. Uma conversa sobre BD, os preconceitos que se perpetuam em relação à nona arte, o mercado editorial e... Ingmar Bergman. Podem ouvir a conversa aqui.


Tive a enorme oportunidade de estar à conversa, durante quase duas horas, com o escritor Mário Zambujal. Foi para um trabalho da faculdade, mas fiquei com pena de deixar a entrevista final a ganhar pó no computador. Como nenhum jornal quis pegar nela, decidi publicá-la na casa em que estou há um ano e meio, a Máquina de Escrever. Muitas histórias e memórias divertidas em pouco mais de 10 000 caracteres, que podem ler aqui.

E ainda;

- Esqueci-me de partilhar um pequeno artigo que escrevi, há um par de meses, para a NOVA Magazine, sobre a conferência que o artista Vasco Araújo proporcionou na FCSH. Fica aqui o link.
- E duas colegas decidiram usar-me para um trabalho de jornalismo. O resultado está aqui.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Está aí alguém?


Em «Missing», primeiro filme made in USA do realizador Costa-Gavras, encontramos Sissy Spacek e Jack Lemmon a vaguear pelo Chile, nos papéis (respectivamente, como é óbvio) de esposa e pai de um homem desaparecido sem deixar rasto. O filme é a procura desse indivíduo, um activista social que talvez saiba demais para os parâmetros estabelecidos pelos militares chilenos. Entre os meios burocráticos em que os dois americanos se movimentam para que a verdade venha ao de cima, há espaço para traçar o nó de um problema político grave e sangrento, e denunciar o envolvimento dos americanos no coup d'état chileno, que depôs Allende para lá meter Pinochet.

Lemmon só recebeu um Oscar na vida. Mas é um daqueles actores que merecia ter na sua estante tantas estatuetas como o número de dias que tem a semana. E é particularmente memorável o momento em que chama pelo seu filho no enorme estádio cheio de gente considerada como altamente perigosa para o regime. Pode-se dizer que, talvez, o Cinema foi feito para várias coisas, e uma delas passa por ouvir o lamento dos que sofrem e de, com ele, tocar aqueles que estão longe, a acompanhar no ecrã uma situação dramática que, aos poucos, se vai aproximando da vida dos espectadores, sem qualquer tipo de falsa comiseração ou sentimentalismo. O único poder-chave de «Missing» encontra-se no facto de falar nos problemas da vida sem lhes acrescentar mais nada, positiva ou negativamente falando. E não é preciso mais nada para que nos sintamos emocionados com a história, do princípio ao fim,

Gavras abandona (e bem) um estilo frenético de montagem que, por vezes, deu os seus bons frutos (como a sua primeira longa, o brilhante «Compartiment Tueurs»), e alguns resultados que, com o tempo, se tornaram menos felizes: «Z», o seu filme mais conhecido, é provavelmente o mais datado precisamente devido aos seus aspectos formais - quem é que hoje consegue "papar" com o mesmo interesse aquela sucessão rápida de planos, que parecem colados de maneira aleatória, só para criar uma ilusão de "acção" constante? E aquela visão ingénua do funcionamento da repressão? «Missing» pede o inverso exacto, e o realizador assim o fez. Uma tensão silenciosa que cresce entre cenas, no meio da opressão do regime caracterizado e do dilema social que está em jogo. 

Ao contrário de tantos filmes based on a true story, «Missing» não pinta bons nem maus de uma maneira cartoonesca, e é aí que reside a sua maior virtude (juntamente com as interpretações). Os vilões estão em toda a parte e ganham com o auxílio da força, e os inocentes não podem escapar das garras do poder. Neste filme, a América não salva o dia nem há espaço para finais felizes. E ainda nos provoca, mesmo que estes golpes já só pertençam às páginas dos manuais de História - porque os perigos que aqui surgem podem ser muito semelhantes com os que o mundo tem de enfrentar nestes tempos que correm.

domingo, 26 de junho de 2016

O imenso adeus


«The Two Jakes», sequela directa do clássicozíssimo «Chinatown», é um daqueles segundos filmes que não vão para a lista dos dispensáveis, enquadrando-se antes na categoria de "fita-frouxa-que-nunca-poderia-fazer-frente-ao-original-mas-que-nem-por-isso-deixa-de-ser-interessante". Fruto de uma turbulenta produção (demorou meia década a ser concretizado e passou por várias mudanças de elenco e equipa técnica), o filme passa-se onze anos depois daquele caso fatídico em que encontrámos Jake Gittes pela primeira e, até então, única vez. 

E seguindo as pistas do dramático desfecho dessa narrativa anterior, em «The Two Jakes» reencontramos Gittes, mas está diferente. O passado nunca o abandonou e vamos percebendo, à medida que tudo se desenvolve e à medida que vamos encontrando, aqui e ali, muitas referências e semelhanças ao mistério que envolvia John Huston e interesses económicos obscuros - quem já viu «Chinatown», sabe que o cerne não está aí. Mas é nesse aspecto que encontramos a maior aproximação entre os dois filmes. A partir daí, Gittes vai ter um encontro com pessoas duvidosas, cujas verdadeiras intenções nunca são bem reveladas, enquanto volta a tomar contacto com memórias trágicas que sempre o perseguiram.

O filme tem tantas feições de neo-noir (ou de homenagem ao noir) como «Chinatown», tanto nos décors, como nas interpretações, acrescentando a voz-off de Gittes que, quer seja útil ou não, dá um ar extremamente cool a toda a conjuntura - e pelas características dos diálogos, associadas à própria história, parece que estamos num romance de Chandler. Ao mesmo tempo, «The Two Jakes» fala da industrialização de uma cidade, continuando aquilo que anteriormente tinha ficado dito, nos diálogos de Robert Towne naquela outra fita que é uma obra prima.

Ao contrário do filme de Polanski, «The Two Jakes» não se desenvolve numa estrutura aparentemente circular para proporcionar a maior surpresa de todas. E talvez é aí que a sequela tenha um dos seus maiores problemas, além de todo o parlapiê à volta da presença constante do passado e eteceteras. Pode não ser totalmente importante, mas a falta total de um clímax dá uma certa estranheza. Acabamos por adivinhar tudo muito antes de Jake, e acabamos por ver, mesmo assim, tudo a evoluir de uma maneira muito lenta. A resposta está ali! É tão óbvia! Como é que ele não consegue ver isso?

Todavia, o que pode funcionar como malefício também pode ser visto como uma virtude. E se o absoluto anticlímax não é mais do que uma forma de contrariar a obra anterior, proporcionando a «The Two Jakes» um estado constante de decepção, de desistência, de desespero? É por isso que estou tão indeciso quanto à minha opinião, porque o que me desagrada aqui é também o que, ao mesmo tempo, me fascina.

De qualquer maneira, apesar destas ambiguidades (que merecem uma segunda oportunidade de descoberta, numa outra ocasião), «The Two Jakes» aguenta-se, pelo menos, como uma sequela louvável e algo fascinante. Ao contrário do que as más línguas apregoaram à época (e que, ainda hoje, dão demasiada pancada ao que Towne aqui escreveu e ao que Nicholson realizou), o filme não é a repetição sensaborona de «Chinatown, mas a demonstração dos efeitos da passagem do tempo no crescimento psicológico de uma personagem e das transformações que um pequeno social sofrem ao longo de uma dezena de anos. 

Por causa do seu fracasso no box-office, a sequela não pôde proporcionar um terceiro filme, que Towne já tinha preparado. Mas com «The Two Jakes» ficámos com uma sequela amigável com inúmeros defeitos - mas esses defeitos encontram-se em coisas que passam pelo argumento e pela realização. Este filme não pode ser definido, ao contrário de muitas outras sequelas, como um miserável truque maléfico para roubar mais uns euros aos espectadores. É a despedida de Gittes, alma atormentada pelo seu próprio mundo, que calcorreia com dificuldade as várias armadilhas com que se depara o seu caminho. E mesmo que esse caminho tenha o seu quê de duvidoso, tem também muito de louvável.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Some stuff das internetes

Um pequeno update de coisas que tenho feito para outros sítios:


Voltei à Máquina de Escrever, para falar de um enorme clássico do cinema. Uma das grandes descobertas que fiz nos últimos tempos, que regressou ao mercado DVD a um preço estupendamente bom: «Last Train to Gun Hill», de John Sturges, com os lendários Anthony Quinn e Kirk Douglas (que está quase a completar 100 anos de vida!). Um daqueles filmes que vai para um hipotético top de preferidos, analisado num artigo que podem ler aqui.


E Um Lance no Escuro regressou (e desta vez, é um regresso definitivo, e não uma tentativa falhada - como as duas outras que fiz em abril). Estamos a entrar na recta final, e esta fornada de últimos episódios promete (eu já gravei três e digo que, ultimamente, e como sempre, tenho tido a sorte de ter convidados excepcionais). O primeiro, emitido na passada quarta-feira, teve Rui Zink como convidado. Uma bela conversa sobre livros, BD, política, o mundo e os portugueses em particular. Podem escutar aqui em baixo (ou então, podem aceder ao site da rádio e descarregar o podcast, para o ouvirem onde e quando quiserem).


UM LANCE NO ESCURO 45

E por agora é tudo. Cá voltarei de quando em vez, se assim fizer sentido. Bom fim de semana!