sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sugestão

Um blog muito interessante, sobre os cinemas do nosso país, os que já desapareceram, e os que ainda resistem. Vale a pena dar uma espreitadela aos Cinemas do Paraíso!

Python de volta!

Há notícias que alegram um indivíduo e que alteram a sua disposição para o resto de todo o dia.

Há cerca de cinco minutos, li uma dessas notícias.

E essa notícia diz o quê?

Que os Grandes, Enormes, Geniais Monty Python, vão voltar a reunir-se para fazerem um novo filme, que, desta vez, será dedicado ao tema da Ficção Científica.

É claro que o filme não vai ter muita da chama humorística que o grupo proporcionou ao longo da série de TV «Flying Circus» e dos quatro filmes e diversos espetáculos que fizeram ao longo dos anos 70 e 80, mas um mega fã como eu destes humoristas tem de estar, certamente, contente com uma notícia destas!

Só falta Eric Idle confirmar a sua presença no filme. Graham Chapman é o único Python que já não está neste mundo. Vai-se sentir a falta dele, também.

Mas veremos. Esperemos até 2013, ano de estreia do filme, para tirarmos as nossas conclusões. Veremos...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Não o levarás contigo - um esquecido clássico do cinema

Hoje, vi mais uma comédia, mas desta vez americana, e que é um clássico do cinema, que venceu dois Oscares em 1938 (não sei se foram comprados ou não, mas o filme até que é muito bom!), denominada «Não o levarás contigo», realizado por Frank Capra, responsável da obra prima do cinema que vi há uns tempos chamada «Peço a palavra» e do clássico «Do céu caiu uma estrela» que ainda tenho de ver.
Uma pequena nota para o DVD com o qual tive a oportunidade de ver esta fita. Aconteceu com este disco aquilo que me irrita solenemente, quando a questão são filmes antigos. Não sou picuinhas em relação a imagens todas em alta definição e outras coisas acabadas em "ão", mas irrita-me muito mesmo, quando vou ver um filme antigo em DVD, e o mesmo parece ter sido tratado da mesma forma com a qual eu trato o lixo. O estado em que a cópia deste filme foi apresentada era simplesmente deplorável. Não houve ali nenhuma tentativa de recuperação das bobines, nada. Som péssimo, imagem péssima, onde por vezes faltavam frames de filme e o ecrã ficava preto! Talvez isto fosse normal numa edição barata de uma editora de segunda... mas esta edição era da Sony! E não gosto nada quando, a ver um filme, estou a dar a mesma atenção tanto ao filme em si, como ao estado deprimente em que está a ser exibido.
Enfim, continuando... fiquei muito contente com a visualização desta comédia, com um toque de drama. É um filme "made in USA", sim senhora, com muitos clichés tradicionais das comédias desse país (e principalmente dessa época), só que esta consegue continuar a ser interessante hoje em dia. Tem atuações convincentes (nada de expressões demasiado exageradas nem nada dessas coisas que me desagradam imenso - daí eu não ter ficado convencido com a hora e meia que vi do «E tudo o vento levou» - desculpem-me, mas não fiquei admirado com aquilo), um argumento muito interessante e muito bem estruturado, baseado na peça de teatro homónima que deu ao seu autor o prémio Pulitzer. É um filme bonito, que apresenta uma moral que hoje, mais do que nunca, mantém-se muito atual, e uma pessoa vê este filme e fica contente de o ter visto. Pode não ser uma obra prima de Capra, mas é um filme que não desilude pelo seu conteúdo.
A história é simples de ser explicada: temos um par de pombinhos, interpretados por James Stewart e Jean Arthur. A família de James Stewart é muito abastada, toda snob e, obviamente sem interesse nenhum. Já a família de Jean Arthur é toda maluca, no bom sentido. Quer dizer, para mim uma família maluca é a que vive numa casa onde se ouvem rebentar foguetes de cinco em cinco minutos, cair sempre o mesmo quadro e ninguém já se importa porque se tornou um hábito, onde, do meio do nada, um xilofone e uma harmónica começa a tocar e de repente toda a gente começa a dançar, enfim... Mas esta família é uma família feliz, humana e humilde. Já a família de Stewart, são arrogantes, são pessoas que só se dão com a alta sociedade... pessoas que não têm uma vida assim muito interessante, a meu ver.
Como já vos disse, gostei muito desta comédia de costumes, divertida e densamente carregada de humanidade, e através da qual podemos retirar o ensinamento que esta vida é curta, e por isso, deve ser vivida ao máximo, tentando que nunca seja desperdiçada e que aproveitemos cada dia da nossa existência para sermos simpáticos uns para os outros, fazer amigos e apoiar a nossa família e pessoas mais chegadas. Um tesouro escondido do cinema, que deveria ser mais conhecido.
Nota: * * * * 1/2

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Two thumps up!"

Se há um crítico de cinema cuja história de vida merece ser conhecida e explorada, indepedentemente das suas opiniões e dos seus gostos, é a de Roger Ebert, que é, provavelmente, o mais conhecido críticos americanos, e um dos melhores de todo o mundo.

Durante as últimas duas horas andei a pesquisar no Youtube por críticas feitas por este crítico. Durante quase vinte e cinco anos, foi um dos dois apresentadores do famosíssimo «Siskel & Ebert", um programa dedicado à crítica cinematográfica. Vi muitas críticas, estando por vezes de acordo com Siskel, e doutras de acordo com Ebert, e noutras ainda, de acordo ou discordo com os dois. Alguns dos filmes que pesquisei foram o pestilento horrível repugnante miserável «Batman e Robin», uma lástima de cinema (nem sei se se pode chamar cinema àquilo!), os dois últimos capítulos de «Regresso ao futuro» (não concordei com a análise de Ebert aos dois filmes), «Goodfellas - Tudo Bons Rapazes» (claro que concordei!), enfim, foram muitas as críticas que eu andei a espreitar, por mera curiosidade.
Nos finais do século XX, morreu Gene Siskel, e Ebert começou a apresentar as críticas com Richard Roeper (não faziam uma dupla tão interessante), e em princípios do século XXI, foi diagnosticado a Ebert um cancro, que fez com que, numa das operações, perdesse completamente a voz. Depois de ter visto todas aquelas críticas, dos anos 70, 80 e 90, e depois ver esta reportagem de há exatamente um ano, fiquei chocado. A diferença do aspeto de Ebert era abismal. Mas, ao acabar o visionamento da dita reportagem, fiquei com uma certa inspiração. Um sentimento muito "americano", vindo dos ditos filmes "inspiradores", que me fez escrever aqui umas palavras no blog sobre Roger Ebert. Acho que o que este crítico fez, para continuar a demonstrar a sua paixão pela sétima arte, é algo muito exemplar. Ebert é ainda muito famoso. Continua a escrever críticas no mesmo jornal de há quarenta e seis anos, o «Chicago Sun-Times», estando muito ativo nas redes sociais.

E quando um filme sai, vou sempre consultar as opiniões de alguns críticos de confiança, como Peter Travers, Kenneth Turan, ou os portugueses João Lopes e Eurico de Barros. Mas o primeiro que vou sempre "checar", é Roger Ebert. Como já disse anteriormente neste post, há muitas opiniões dele das quais não concordo, mas acho que a forma como ele expõe as suas opiniões, acho que é merecido ser lido. Também, digamos que a atribuição do Pulitzer a Ebert não foi aleatória. Foi, sim senhora, muito merecida! Saibam mais sobre este senhor porque vale muito a pena. Mesmo.

Amor de perdição

Parte da matéria da disciplina de Literatura Portuguesa, li o clássico lacrimegante e sentimental que é «Amor de Perdição». É uma obra prima da literatura da nossa língua, é verdade, mas não vai muito ao tipo de história que eu gosto de ler. Mas gostei muito desta obra, apesar dos seus poucos defeitos. Acho que foi uma boa experência para iniciação à obra de Camilo Castelo Branco. E lê-se num instante! Ao contrário de outro que estou a ler ao mesmo tempo, mas que me está a captar mais a atenção: «A cidade e as serras» de Eça de Queirós. Em «Amor de Perdição», comprovei a minha teoria, graças à prova dada com a história de Camilo Castelo Branco, que bate certo pelo menos na minha pessoa. Amores só dão desgraça - pelo menos, até ao dia de hoje, foi o que me tem acontecido... Enfim, um dia mudará. Um dia...


Nota: * * * * 1/2


Como já devem ter reparado, se a escrever críticas de filmes sou uma lástima, então de livros...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Monty Python e o Cálice Sagrado - comédia em estado puro

O dia de hoje foi terrível para a minha pessoa. Acordei e dei um jeito ao pescoço, que ainda me causa dor neste momento. Bem, e estando eu a sofrer, decidi ver um filme cómico, para desanuviar a dor. Então, decidi-me pela comédia que nunca me canso de voltar a ver e que é um dos meus filmes preferidos: «Monty Python e o Cálice Sagrado».
Foi o filme que me abriu a porta para o extravagante e divertido mundo dos Monty Python, um universo onde o non-sense é tão importante como qualquer um dos indivíduos que faz parte deste grupo de humoristas, provavelmente o mais famoso e influente de toda a história da comédia. Este grupo é uma das minhas maiores influências, e que admiro pelo facto de, tanto hoje como quando se formaram, há mais de quarenta anos, continuarem a cativar gerações (como a minha!). O mundo deste coletivo humorístico é bem fácil de conhecer, e muito difícil de sair dele (no bom sentido, claro!).
É provável que já tenha visto este filme umas dez vezes, mas é uma delícia rever. Tenho um carinho especial por este filme, gostando apenas um bocadinho mais do mesmo que do seguinte, «A vida de Brian». Talvez por ter sido o meu primeiro contacto com os Monty Python, goste mais deste, uma sátira completa à Idade Média e à lenda do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, com o final mais estúpido (pelo lado positivo) da História da Sétima Arte, o que comprova que estes lendários bretões (exceto o americano Terry Gilliam, agora um conceituado realizador cinematográfico) consumiam muito non-sense para a elaboração dos seus sketches e filmes, e que também sabiam sair do meio de encruzilhadas por falta de meios ou orçamento, e criar grandes momentos de comédia a partir dessas situações. Além da trama principal, sobre a procura, pela pandilha do Rei Artur, pelo cálice sagrado, neste filme metem-se também uma falsa bruxa (ou será que não?!), cocos que fazem o som dos cascos de cavalos (sim, por falta de orçamento para comprarem cavalos para o filme, os Monty Python criaram uma ideia de desenrascanço que se tornou um fenómeno de culto que dura até hoje!), cavaleiros que dizem «Ni», franceses com a mania que são bons, e tantas coisas mais! Digam o que disserem, esta é, sem dúvida, uma das melhores comédias de sempre da História do Cinema. Uma obra genial, impossível de ser ultrapassada, e que perdurará como um produto mais fresco que um arenque, durante uns bons séculos. Ou pelo menos, umas décadas. Ah, e já agora, tenham cuidado com o coelho assassino!

Nota: * * * * 1/2

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu não "sele" japonês! Eu "sele" chinês! (pois pois, numa altura destas, com a EDP e tudo o mais, até dá mais jeito que assim o seja...)

Sim, isto pode ser estranho ler vindo de um adolescentezinho palerma de 16 anos, que por isso, nasceu a meio da década de 90. Mas eu gosto de «Duarte e Companhia», essa série que prova como a azeitice e técnicas rudimentares de filmagem e, principalmente, montagem, podem gerar uma série muito interessante - pelo menos, dentro do panorama português.

Mas porque é que será que um idiota como eu, que com esta idade e vivendo nesta época deveria era estar a ver séries todas sofisticadas, como a insuportável e demasiado previsível «American Horror Story» ou aquela parvoíce cantante denominada de «Glee», vai debruçar-se sobre u(ma série com todos os defeitos para ser desapreciada por qualquer outro indivíduo da sua idade o facto de ser portuguesa, o facto de ser antiga, o facto de ser mal feita, e mais importante que isso tudo, o facto de ser interessante)?

A resposta é simples. Porque eu gosto, e ponto final. Aliás, comecei a gostar desde que um bom amigo, dos tempos do Camões, me emprestou as três primeiras séries desta maluqueira televisiva da autoria dessa mente preversa e não menos louca que é Rogério Ceitil, cuja série «Zé Gato» foi o começo para, seis anos mais tarde, vir ao mundo a primeira série de «Duarte e Companhia». Fui vendo e, se na altura nem me importei muito do "rudimentarismo" da série, que talvez, se fosse noutro programa, me poderia afastar da sua visualização, esta eu apreciei muito pela história muito cómica e por provar que, com poucos meios mas com muita imaginação, se consegue criar algo muito interessante e que continua a ser tão famoso agora como há mais de vinte e cinco anos, quando começou a ser exibido na RTP1. E acreditem: o número reduzido de episódios de «Duarte e Companhia» (dos quais, até hoje, eu já vi os primeiros vinte e um) não faz com que a série seja menos apreciada, ao contrário dos sete mil, oitocentos e trinta e cinco que os «Morangos com Açúcar» já contam.

Lembrei-me de escrever sobre «Duarte e Companhia» porque hoje, comecei a gravar na RTP Memória, na esperança que ainda estivessem a dar episódios que eu já tinha visto. Mas não, já andam a exibir os que, infelizmente, não foram editados em DVD (por agora). E bastou ver menos de cinco minutos do episódio que gravei para me lembrar que, além da história ser interessante, sim, se repararmos bem, o facto de a série ser não muito bem executada ajuda a que tenha uma dose de humor adicional ao enredo dos episódios.

Mas o que eu acho que se deve louvar em «Duarte e Companhia» é que nós percebemos que a equipa que fez o programa cometeu loucuras extremas, sim senhora, mas encaixando sempre dentro do baixo orçamento que lhes era dado. Admitiam-se como uma série menos "abastada", e também por isso conseguiram fazer uma série extraordinariamente gira. Ao contrário de outros programas, que se acham mais poderosos que o dinheiro que a produtora lhes deu para gastar, e depois fazem programas que ninguém se lembra porque acabaram por ir parar a horários colocados às televendas.

Outro dos ingredientes fundamentais do sucesso de «Duarte e Companhia» era por girar em torno de um universo de criminosos e detetives... à portuguesa. Nada de americanices. Por cá, o detetive, para se entreter, folheia as páginas do jornal «A Bola» do dia. Ou então, se o bandido precisa de sobreviver, faz uma sopinha à vontade, sem qualquer problema! Não há ali nenhumas fitas, hein? É fazer a sopa e prontos! E se houver um indivíduo japonês, diz-se que é chinês, porque para o tuga, vai dar tudo ao mesmo (embora, tal como o título deste post indica, nos tempos que correm, essa situação teria de ser ao contrário...).

Se vale a pena ver «Duarte e Companhia», eu digo que sim. E se eu sou meio doido por perder tempo com uma série destas, depende da perspetiva. Mas só sei é que, depois de ver mais um episódio desta série à la tugas, me apetece logo ir fanar o 2 cavalos do meu vizinho (que não é vermelho, mas isso também não interessa, vai dar tudo ao mesmo) e perseguir um bando de valdevinos comandados por um malfeitor que obriga que o tratem por Padrinho.

Porque... nós somos Duarte e Companhia...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Muita coisa pode acontecer no meio de nenhures

Era uma vez, nesse grande e estranho país que se chama Estados Unidos da América, uma coisa chamada... cinema americano. Nele, uma dupla de irmãos iria destacar-se por revelar ao mundo obras que marcam um estilo muito próprio, com comédia, drama, e uma peculiar excentricidade, tudo em doses iguais. Esse estilo tornou inesquecíveis os filmes desses dois indivíduos e das figuras mais marcantes do cinema das últimas duas décadas.
Era uma vez os irmãos Coen. Filmes como «O Grande Lebowski», «Este País não é para Velhos», entre outros, tornaram-se ícones e marcos cinematográficos bem característicos da dupla de irmãos mais conhecida do mundo do cinema.
Um dos filmes mais populares e aclamados dos dois parentes é o que este espécime acabou de visionar ontem, que dá pelo nome de «Fargo». Um policial com muita comédia negra à mistura, um dos filmes mais representativos da carreira dos Coen.
Frances McDormand, William H. Macy e Steve Buscemi brilham nos papéis mais importantes da fita, rodeados por um vasto leque de atores que não lhes fica atrás em termos de qualidade. Joel Coen mostra ser um brilhante realizador e, em conjunto com o seu irmão Ethan Coen, provam mais uma vez serem excelentes argumentistas, criando uma história (baseada em vários casos verídicos) sobre Jerry (William H. Macy), um indivíduo que, para conseguir ganhar umas massas, pede a dois bandidos para lhe raptarem a mulher e pedirem o resgate ao abastado sogro, para depois Jerry ficar com metade e os gatunos com outra. Mais tarde, os criminosos vão estar envolvidos na morte de um polícia, o que faz que outra agente policial, Marge (Frances McDormand, vencedora do Oscar por este seu desempenho), uma mulher com um peculiar sentido de humor, comece a investigar o homicídio, entrando na alçada dos assassinos.
Na minha opinião, este é dos poucos filmes que vi na filmografia dos irmãos, o melhor deles todos. Ainda me faltam ver muitos, é certo, mas este filme de hora e meia é uma jóia cinematográfica, merecidamente reconhecida e aplaudida pela crítica e pelo público de todo o mundo. Recomendo vivamente «Fargo»!
Nota: * * * * *

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Aí vem o boss!

Bruce Springsteen está de regresso com um álbum prontinho a sair para as lojas. Aqui fica o single, cujo título dá também o nome ao disco de um dos maiores nomes da música americana de sempre.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Moneyball - Jogada de Risco

«Moneyball - Jogada de Risco» é uma grande surpresa. Pelo menos para mim assim o foi. Porquê? Por ser daqueles filmes no mundo do desporto que me interessaram. E nessa lista não há muitos. Dos que me lembre, apenas o «Invictus» se encaixa nesta secção. Mas continuemos: Brad Pitt é Billy Beane, o diretor-geral da equipa de basebol Oakland A's, que refaz a sua equipa, através de uma estratégia usada com base em estatísticas e dados informáticos que avaliam os jogadores. Uma proeza que foi bem sucedida e que começou a ser usada e discutida por causa da tentativa bem sucedida de Beanes.

Com excelentes interpretações de todo o elenco e um argumento inteligente e muito bem escrito, «Moneyball - jogada de risco» não é um filme que se debruça demais sobre basebol (daí qualquer pessoa conseguir perceber o filme minimamente bem, sem precisar de se prevenir e ter um guia da modalidade o mais perto possível para consultar se surgissem dúvidas), nem uma história sobre os negócios que se fazem à volta da compra e venda de jogadores, neste e noutros desportos. É um filme sobre, basicamente, aquilo que todos os seres humanos (incluindo eu) deveriam ter obrigatoriamente como qualidade: a coragem para se atingir os objetivos, sem ter medo dos obstáculos. Um dos melhores filmes de 2011 e um forte candidato aos Oscares!

Nota: * * * * 1/2

Fahrenheit 9/11 - O 11 de Setembro e George W. Bush "esmiuçados" por Michael Moore

Aqui temos mais uma peça controversa, provocadora e brilhante da autoria de Michael Moore, que desta vez pretende atacar a administração Bush que, na altura, estava no poder, falando dos pormenores escondidos e dos bastidores de alguns acontecimentos que as pessoas nunca chegaram a saber, até este filme os divulgar. O filme pode ser considerado já obsoleto para alguns, pois é um filme mais de impacto inicial, auxiliado por alguma propaganda política datada. Sim, é verdade, uma pessoa, talvez, ficaria muito mais chocada ao vê-lo durante o período Bush. No entanto, gostei muito de ver este filme, que me revelou muito e que me fez perceber algumas incongruências do sistema americano. Vale a pena ver, garanto.


Nota: * * * * 1/2

Mais uma participação no Nescolas

E como já tinha dito, o meu grupo (que este ano se intitula «Os Suspeitos do Costume», em homenagem ao filme de Bryan Singer, e que tem mais um elemento - desta vez feminino - na sua constituição) vai participar, mais uma vez, no Nescolas. Nesta primeira fase, passámos, e o texto com que concorremos foi o que se segue nas próximas linhas. Contém a dita "reportagem", mais a nota biográfica do convidado que gostaríamos de entrevistar (vamos a ver se é possível, saberemos isso quando for o dia da segunda fase, que é quando o grupo do concurso vai à escola para nós fazermos a entrevista). Eu sei, é muito fatela, mas é isto que eles queriam, basicamente. Desculpem o amadorismo e o "fraquismo" da coisa. Cá vai:


Os caminhos do humor


O humor foi alvo de grandes evoluções ao longo do século XX. No princípio do século, com a invenção do cinema, a comédia começou a ser levada de uma forma completamente diferente aos espetadores, reinventando a forma de fazer rir com autores geniais que ficaram para a História, como é o caso de Buster Keaton, Laurel e Hardy, e principalmente Charlie Chaplin, o grande mestre da comédia cinematográfica. A rádio foi também muito importante, pois unia as pessoas em torno dos pequenos transístores que, em Portugal, transmitiam rubricas cómicas de grande sucesso como «Zequinha e Lelé» e «As lições do Tonecas». A introdução do som no cinema veio dar também uma mudança à sétima arte.

Uma vasta gama de atores acompanharia os espetadores ao longo de décadas, fazendo diversos papéis cómicos nos mais variados filmes. Destacam-se Fernandel, Louis de Funès, Cantinflas, e em Portugal, António Silva e Vasco Santana. Mais tarde, a televisão dá uma nova viragem ao humor. As famosas sitcoms americanas mudaram a comédia, assim como diversos humoristas que fizeram programas históricos, como é o caso dos Monty Python e o stand-up comedian Jerry Seinfeld.
Hoje em dia, o humor propaga-se pelo mundo graças à internet, e tudo à distância de um clique. E no futuro, quais serão os caminhos que o humor seguirá? Como irá o ser humano rir daqui a uma década? O que sabemos é que, certamente, a comédia é um processo em constante evolução que merece ser seguido e admirado.


Nuno Markl: Nuno Markl é um dos mais famosos e influentes comediantes portugueses da atualidade. É autor de diversas rúbricas humorísticas radiofónicas(de entre os quais se destacam «O Homem que mordeu o cão» e «Caderneta de cromos»), co-autor de programas como «Herman Enciclopédia» e «Contemporâneos» e autor de livros humorísticos, na sua maioria dedicados ao seu trabalho em rádio.

Globos, vocês são o elo mais fraco. Adeus!


Legenda possível para esta fotografia: "Pois é, pessoal, pagaram-me mais este ano, por isso não vou dizer mal de ninguém. Agora aninhem-se! Ah, e depois ainda vou arranjar um contrato para uma coisa chamada... MEO, que é para ganhar milhões sem nada fazer. Bye bye suckers!"


Pois é, antes de ontem ocorreu mais uma edição daquela farsa, digo, gala, da entrega dos Globos feitos de lata mas dizem que são de ouro só porque fica mais bonito!

Agora a sério, pessoal... os americanos dizem que esta é a segunda entrega de prémios mais importante do mundo (só lhe fica à frente os do Tio Óscar), mas parece-me sempre que não gostam nada destes prémios. E porquê? Porque olhar para aquele tédio que as celebrities passam a ver aquela cerimónia (se bem que a maioria dos filmes que aquela gente faz também são deveras entediantes) e a forma desleixada e amuada como a cerimónia é feita faz-me pensar assim. E o cenário, sempre igual e sem qualquer tipo de criatividade.

Ah, e se no ano passado, no meio de discursos de «ai quero agradecer à minha Mãe, ao meu Pai, aos meus Tios, ao meu gato e ao meu noivo das quartas feiras» e de outras idiotices falsas que as estrelas de Hollywood já nos habituaram a ver, como aconteceu este ano, ao menos tínhamos o Ricky Gervais que mandava umas piadas giras a pôr o dedo na ferida em todo aquele sistema a virar para o hipócrita. Na edição que passou há dois dias, nem isso tivemos. Além do habitual, tivemos piadas "compradas" ditas pelo Ricky Gervais (às tantas o Pinto da Costa pôs ali o dedinho naquele esquema) e planos de câmara com o Dustin Hoffman a semi-dormir. Veem? Os americanos gostam tanto dos Globos de Ouro que até se dão ao trabalho de filmar o tédio das estrelas! Os Globos estão ali para os americanos poderem dizer «Vá, Imprensa Estrangeira de Hollywood, que é para depois não dizerem que não gostamos de estrangeiros», e depois, quando a gala de cada ano acaba, voltam a arrumar aqueles prémios na gaveta destinada a "coisas particularmente desinteressantes para nós, o mais poderoso país do mundo". No fim, poderão então vangloriar-se de que, sim, a América dá atenção ao resto do mundo. O que não é o que parece. E é esta a sensação que me fica depois de ver os Globos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

It Stinks!

«The Critic» é uma sitcom animada que entra na categoria das séries-que-por-serem-tão-boas-tiveram-de-ser-canceladas. Ao contrário de séries como «House» ou «Dexter», que no seu início mostraram ter uma premissa interessante, mas que se foi perdendo ao longo dos anos, «The Critic» conseguiu ser brilhante por ser curta, e talvez, se tivesse alongado demais, não teria o mesmo impacto e o culto que preserva na atualidade (a não ser que a série se soubesse inovar, como aconteceu com «Os Simpsons», por exemplo, um caso muito raro na televisão americana).
Esta série acompanha o crítico de cinema Jay Sherman, onde exploramos a sua vida falhada, e onde também se fazem grandes sátiras a momentos marcantes da história do Cinema (mais precisamente dos filmes dos anos 90), daí eu também ter apreciado esta série. É uma grande comédia que continua a gerar cultos e agrados por parte do público (como aconteceu com a minha pessoa), e tal como a série do Dilbert, falada no post anterior, acho que merece ser vista. Pelo menos o primeiro episódio. Depois tirem as vossas conclusões. Mas o que eu sei é que já tenho duas novas séries para acompanhar.

(ah, já agora, podem ver o primeiro episódio com legendagem em espanhol - não encontrei em português no Youtube - clicando aqui)

Um escritório com piada (e não estou a falar no da EDP)

Nos últimos meses, as leituras não têm (infelizmente) abundado nas minhas atividades diárias, como aconteceu no verão, época do ano passado em que li mais de metade dos livros que me passaram pelos olhos em 2011. Uma boa desculpa para isto é a falta de tempo. Também posso dar outra explicação: para mim, a leitura só faz sentido (ou seja, só consigo ler a sério um livro sem me desinteressar por ele a partir da página 20) no verão, época em que posso estar mais concentrado em leituras mais a meu gosto e outras que o cérebro não me deixa pegar a não ser nessa época. Mas, felizmente, até tenho conseguido ler uns livrinhos, embora não os acabe tão depressa como gostaria, sendo que os vou lendo aos poucos, a meu gosto e quando acho que tenho sossego para conseguir ler mais de três parágrafos seguidos. Neste momento, estou a ler dois livros, dois clássicos da literatura portuguesa (que espero que consiga estar mais embrenhado na sua leitura): «Amor de Perdição» de Camilo Castelo Branco e «A cidade e as serras» de Eça de Queirós, ambos leituras escolares obrigatórias, de que estou a gostar (mais do segundo que do primeiro. Gosto bastante do estilo Queirosiano, do qual fiquei fã ao ler alguns dos seus textos, nomeadamente uma crónica sobre o Anarquismo), e que vou lendo ao sabor das avaliações que as disciplinas em que são a ser estudados assim o exigem. Não é que não esteja interessado na sua leitura, mas caramba, na minha opinião não há tranquilidade suficiente para se conseguir, em minha casa e na minha cidade, ler um livro cuja leitura não demore mais de dois meses... aliás, estes dois livros estou a lê-los lentamente, mas para conseguir apurar qualquer pormenor e poder estudá-los a 100%. Assim podem dar jeito.
Enfim, como já por aqui expressei diversas vezes, sou fã gigante da nona arte, a banda desenhada. Muito do que leio sao quadradinhos. São rápidos de ler, e na maior parte das vezes, autênticas obras primas de arte ou de narrativa.
Sou também um grande fã dos chamados comic strips, as tiras de banda desenhada oriundas, na sua maioria, dos states, e que inundam milhares de jornais de todo o mundo. Algumas dessas BD's que me acompanham já desde pequenino e que sempre gostei de ler e reler são, só para exemplificar: os fantásticos Peanuts, o miúdo Calvin e o seu tigre de peluche Hobbes, as turbulências da adolescência no Zits, a família completamente disfuncional Fox Trot, e também... Dilbert, uma banda desenhada da autoria do genial Scott Adams, que há mais de duas décadas, satiriza com um humor característico e inteligente o dia a dia de um escritório fora do normal, mais os seus funcionários de todas as áreas do trabalho.
O que Dilbert tem de tão especial é o facto de conseguir manter o nível desde há vinte anos e continuar atual. Digo isto porque na biblioteca das Galveias comecei a re-requisitar os livros do Dilbert que existem por lá (digo "re-requisitar" porque li-os pela primeira vez há uns quatro ou cinco anos) e já sou muito mais capaz de perceber muitas piadas que me passaram despercebidas na primeira leitura. Muitas das situações têm piada por serem uma crítica à vida de escritório, mas mais do que isso, são uma caricatura fenomenal do quotidiano norte-americano. Com um certo exagero, é claro, mas é esse exagero que dá mais piada às tiras de Dilbert. E ao universo que constitui as suas personagens, também. Além do homónimo Dilbert, temos ainda o patrão mais idiota à face da Terra, para o qual ninguém gostaria de trabalhar, assim como o diabólico Dogbert (a minha personagem preferida), um empregado radical, com decisões preversas e maquiavélicas cujo objetivo pode, por vezes, sera conquista do planeta. Muitas outras personagens povoam o escritório onde Dilbert trabalha, mas estas três sao, talvez, as essenciais para uma introdução a esta grande BD.
E há também a série de TV, que teve apenas trinta episódios divididos em duas temporadas, mas isso não impediu que ganhasse um Emmy. Estive agora a ver o primeiro episódio (se estiverdes com curiosidade, preparem-se para passar uns agradáveis vinte e um minutos e cinquenta e cinco segundos ao clicar aqui) e acho que não fica nada atrás da banda desenhada. É um clássico da televisão que vale a pena ver, tal como aconselho vivamente a ler a BD, que corresponde à realidade do trabalho de escritório de qualquer país, incluindo o nosso Portugal.

Spider

Antes de ter ido de partida para uma visita de estudo na quinta feira, vi este pequeno mas bom filme de David Cronenberg. É um filme que muitos poderão achar estranho ao princípio (principalmente por causa da personagem principal, interpretada por Ralph Fiennes, bastante surpreendente, na minha opinião), mas acho que vale a pena ver. Eu pelo menos gostei. Esta fita fala-nos de um homem com problemas mentais que irá recordar um caso perturbador que marcou a sua infância. À medida que o filme avança somos confrontados com novas revelações do passado de Spider, que nos leva a entender melhor, a cada cena, o que pensa aquela mente estranha ao nosso olhar, mas ao mesmo tempo interessante. Quem não viu, que veja. Passa num instante e é um bom filme.
Nota: * * * *

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Maçons e companhia, LDA - Sociedade secreta que inexplicavelmente existe

Pois é. Como qualquer cronista que não tenha grande criatividade, vou-vos aqui falar da minha perspetiva sobre um tema da atualidade que está a ser usado e abusado pelos media.

A história, já a sabem toda, não é? Então pronto.

O que eu gostava de perceber - eu e muita gente, daí este post não ter nada de originalidade - é porque é que a Maçonaria existe, no século XXI?

Amigos e amigas, estamos numa época muito informatizada e "tecnologizada". Não há muitos segredos a esconder! Ou um dia são descobertos por uma qualquer entidade da comunicação social, ou então, sites como a WikiLeaks fazem o favor de os revelar ao grande público. Somos todos alvo de ataques de privacidade, não há nada que seja garantidamente seguro! Quem sabe se alguém por acaso não descobre que eu abri uma conta bancária nas Ilhas Caimão, onde lá depositei cerca de oitocentos mil euros, na passada sexta-feira, dia 6 de janeiro, às dezoito horas, catorze minutos e trinta e nove segundos?

(ups... eu e a minha grande boca...)

Por isso é que sociedades secretas como a Maçonaria não fazem sentido existir nos nossos dias. É o que eu penso. Mas se alguém souber a razão para que exista na atualidade, faça o favor de me informar. Gostava de saber se não serve só para algumas determinadas pessoas arranjarem contactos para chegar ao poder ou para acederem a privilégios que mais ninguém tenho. Gostava de esclarecer isso.

Agora com licença, que tenho de apagar o meu blog da internet para não correr o risco de algum maçon ler o que eu escrevi aqui.

Estava a brincar, claro. Mas agora a sério, tenho de terminar este post porque o meu tempo de internet aqui na biblioteca das Galveias está a terminar. Por isso, com licença.

Bye Bye Hi5

Há cerca de dois dias concretizei um sonho que já pairava na minha pequena cabecinha há, pelo menos, dois anos e meio. Meus amigos e minhas amigas, acabei com o meu Hi5. E não tive pena nenhuma de o "matar". Sem querer ofender suscetibilidades, ele mereceu o destino que teve.

Ah ah ah ah ah! I'm bad!

A sério... aquela porcaria já não serve para nada. E eu até usei-o por pouco tempo. Não era útil, e tornou-se muito obsoleto e cansativo, além de aquele sítio ter ficado pessimamente frequentado - já o era, diga-se, mas agora está muito pior.

Agora tenho o facebook. Um dia, se inventarem algo melhor que essa rede social, emigro para a mesma (embora o facebook não seja muito uma ferramenta do dia a dia, mas ajudou-me a que matasse também, em parte, o meu messenger).

É este o mundo da Internet. Há os mais fortes e os mais fracos, mas (e falando nisto como se de um épico histórico se tratasse) nem todos podem sobreviver.

Por isso, adiós Hi5, que nunca nos voltemos a encontrar.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Uma grande música, um dos maiores e melhores sucessos da dupla Rui Veloso - Carlos Tê, que fez parte da banda sonora do filme «Jaime». Muito gira a música, e encaixa perfeitamente no filme.

R.I.P

Eu sou um grande fã da Banda Desenhada da Disney. Já por aqui disse que o muito que devo da minha infância é às aventuras do Pato Donald, os três sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, o Tio Patinhas... todo um universo de patos, ratos, e outras espécies animais, inventadas por uma série de autores de vários países, como Paul Murry, Carl Barks, Don Rosa, e Victor Arriagada Rios (que assinava as suas BD's como VICAR).
Escrevo este post porque soube há pouco da morte de VICAR. Gostava das histórias dele. Tinham narrativas simples, mas os desenhos eram muito bons e as suas BD's lembravam-me muito os cartoons da televisão da Disney. Muito me entreti com as histórias deste autor sul-americano. Fica a obra, e uma pequena parte dela tenho-a espalhada nas inúmeras revistas portuguesas da Disney que tenho guardadas cá por casa.

O céu existe mesmo... e por isso é que vendeu já mais de cento e trinta e tal exemplares

Antes de começar a dizer as minhas alarvidades do costume, vou já esclarecer uma coisa: eu sou católico, OK? Agora, calma. Sim, sou crente no Cristianismo. Digo isto com toda a maior calma e firmeza possível porque muitas pessoas já pensaram que eu era ateu por ter um ponto de vista mais virado para a frente e não virado para a Idade Média, que é como muitas pessoas veem que os católicos são. Fui educado num ambiente e numa família que não é retrógrada, nem conservadora em muitos aspetos, o que me dá azo para ler mais livros e ver filmes e programas com várias perspetivas sobre a religião. Os meus Pais ensinaram-me sempre a respeitar e a ouvir a opinião dos outros, e é isso por que me interesso, no tempo presente. Gosto de discutir ideias e de falar com pessoas com outras opiniões. Acho que é enriquecedor.

Bem, e o que eu tenho a dizer sobre este livro? Já tive oportunidade de o folhear várias vezes, e... como se diz? Este livro é... é... está-me a faltar a palavra... é... ah! É isso! É tanga! É essa a palavra. E por isso foi o livro mais vendido do ano passado.

Uma criança que diz ter ido ao Céu por uns momentos e ter visto o trono dourado de Cristo e os seus anjinhos - ou lá o que seja - que combatem os ajudantes de Satanás (numa cena digna de «Dragão Bolas» ou de qualquer desenho animado em que o bem é contra o mal (embora me pareça que, nesses desenhos animados, bem e mal são um só, porque ambos os lados têm pessoas com cara de más), bem... desculpem-me, mas tenho de concordar com a crítica da Time Out ao livro (uma revista que poucas vezes levo a sério), onde se diz que o miúdo deve ter tido foi muita matéria de catecismo evangélico no programa de lavagem-ao-cérebro, porque as coisas que ele diz coincidem com a variante da religião católica de que o seu Pai é pastor.

O que me preocupa muito é a preocupação serrada que muita gente tem da existência de vida após a morte. E é engraçado porque é uma questão que ninguém pode ter a certeza absoluta de que tem razão. O que eu acho é que a morte é algo inevitável, claro, não nos devemos preocupar demais com ela. Aproveitemos a vida agora, e depois, o que se seguir (eu acho que, depois desta vida, se segue alguma coisa) ou se não acontecer nada, há tempo para descobrir esse mistério (ou não... bem, nao gosto muito de falar de temas sem resposta. Fico baralhado) da morte e de tudo o mais.

E por isso, portugueses, deixem de comprar livros miseráveis como este! Há tanta boa literatura que precisa urgentemente de ser lida... Não isto, OK?

Tenho dito. Boa semana!

Cinema português do bom!

Este cativante filme português retrata um tema que continua atual e ainda mais problemático nos nossos dias: a exploração infantil. Jaime, o protagonista que dá o nome à película, é um jovem que decide trabalhar para poder, um dia, atingir os seus sonhos, e poder ajudar a família, com os Pais separados e com muitos problemas. Além da exploração infantil, as relações familiares, a pedofilia e a vida das famílias de classe média-baixa doPorto, são outros dos temas de «Jaime». António-Pedro Vasconcelos fez um grande filme que marcou o cinema português, com um argumento muito real e bem escrito (difícil de encontrar no cinema da nossa língua, e também nos últimos filmes de Vasconcelos) e com o pequeno (agora já mais crescido) Saúl Fonseca, que na minha opinião está muito bem no papel de Jaime (pena que a sua carreira não tenha continuado). Um filme que fica na memória do espetador, que vale a pena ver e refletir.
Nota: * * * *

A maldição do escorpião de jade

Este foi o primeiro filme que vi do Woody Allen na minha vida. Foi há cerca de cinco anos que vi pela primeira vez «A maldição do escorpião de jade», mais coisa menos coisa. Sei é que o primeiro Woody Allen que uma pessoa vê não se esquece. Vendo o que a crítica diz, bem, pois claro, a maioria arrasa o filme, mas eu gostei muito, tal como gostei da primeira vez que o vi. Tem uma história muito gira e um bom elenco, e é pena que seja um filme menos conhecido do Woody Allen. Com este filme se comprova que, mesmo de meia-idade, Allen é um génio da comédia. Ninguém lhe chega aos calcanhares, na sua personagem neurótica e muito cómica, que desta vez está metida numa espécie de policial que envolve um escorpião hipnotizador que um mágico de bar utiliza para o seu número e, mais tarde, para usar as suas vítimas para assaltos de jóias de valores exorbitantes (uma das vítimas será C. W. Briggs, detetive de uma agência de seguros interpretado por Woody Allen). Acho que é um filme que vale muito a pena ver, levezinho e divertido, mais uma grande pérola de um dos maiores nomes da comédia americana.

Nota: * * * * 1/2

sábado, 7 de janeiro de 2012

A coca cola faz boa publicidade e ponto final

Dou os meus sinceros parabéns pelo novo anúncio otimista da Coca-Cola, essa lendária marca de um refrigerante cafeínico de que eu pouco gosto. A Coca-Cola é responsável por alguns dos anúncios mais lendários da vida de toda a gente (ah, e também foi ela que criou o Pai Natal, pois foi). Este novo anúncio é uma lufada de ar fresco, é um anúncio que vale a pena fazer o espetador ficar sentado na poltrona para o ver. Depois, pode-se ir embora. Mas este anúncio é muito bom, tal como um que apareceu há uns anos, com um senhor com a espantosa idade de cento-e-tal anos (quem me dera chegar lá!), que transmitia também uma mensagem de otimismo para todo o Portugal (e Espanha, já que o reclame era oriundo do nosso país vizinho).

Por isso não percebo as críticas que estão a ser feitas a esta nova campanha publicitária. OK, eu sei que há pessoas que prefeririam estar a ouvir o indivíduo com ar de pateta do Continente e a sua estranha dicção (nomeadamente com a letra "s"), ou então o jingle do Pingo Doce, ou até o anúncio de algum detergente qualquer, com donas de casa a ficarem maravilhadas com a potência de um produto que a mim parece ser apenas água com sabão que poderia ser facilmente confundida com um sumo com 10% de fruta da Joi.

Portanto, não sei, minhas amigas e meus amigos, qual o problema dos queixosos. Preferem viver no cinzentismo, continuar a viver num clima negro e a falar, falar, falar, e que depois na realidade tudo continua na mesma. Não percebo esses indivíduos.

É bom haver marcas que tenham grandes ideias que originam publicidades marcantes. Embora a Coca-Cola, na realidade, não precisasse de nennhum anúncio para continuar a vender milhares de latas e garrafas com o seu produto - não muito feliz, diga-se. É apenas água com caramelo. Mas ao menos este tipo de água comercial tem publicidade interessante. Ao menos isso.

É o ano do fim do mundo. Deve ser porque está cheio de boas promessas cinematográficas.

O início do ano recheia o meu gosto aguçadinho e esfomeado pelo que eu acho que seja o bom cinema. Eis aqui alguns dos filmes que aguardo ver em 2012, acrescentando um ou outro estreado em 2011 que ainda quero ir ver e que não estão por ordem de desejo. São os que me fui lembrando, e às tantas esqueci-me de um ou outro. Aqui vai:

-«Habemus Papam»
Farto (no bom sentido) de ouvir elogios ao filme, tenho uma grande curiosidade em ver esta película nova de Nanni Moretti, que tem sido aplaudida tanto pela esquerda como pela direita (o que é bom, haver filmes que ainda conseguem chegar a toda a gente e não a apenas um nicho de público), sobre um recém-eleito papa que não quer o seu cargo;
-«A Toupeira»
Pelo que vi, acho que temos aqui um Gary Oldman em grande, a herdar o papel interpretado por Sir Alec Guinness na série de TV homónima da BBC dos anos 70, e com uma história assinada por John Le Carré (o que também ajuda, já que é um grande autor);
-«A Dama de Ferro»
O retrato de Margaret Thatcher num desempenho muito elogiado de Merryl Streep, que respeita a figura, e que não tem sido bem recebida por parte da crítica (isto porque certos críticos confundem cinema com ideais políticos individuais);
-«Os Descendentes»
Do pouco que sei deste filme, achei que deveremos estar à espera de algo em grande. George Clooney num grande papel, e um dos grandes candidatos aos Globos de Ouro deste ano
-«A invenção de Hugo»
Martin Scorsese regressa em grande com um filme que homenageia os primórdios do cinema e que tem sido muito bem aceite o facto de este magnífico realizador (um dos meus preferidos) saber usar bem o 3D.
-«Moneyball - jogada de risco»
Será que é desta que Brad Pitt ganha o Globo ou o Oscar? Bem, alguns dizem que sim. Este filme é sobre basebol, mas parece-me que tem muito mais que isso. Outra grande promessa de 2012.
-«J. Edgar»
O biopic do diretor do FBI pela mão de Clint "Dirty Harry" Eastwood. Leonardo Di Caprio muito bem caracterizado e aompanhado por um grande elenco.
-«Uma separação»
Diz que este filme, que ganhou o Urso de Ouro de Berlim, é uma obra prima. Daí eu querer ver, porque gosto de abranger o cinema que vejo para lá das lides americanas.
-«O cavaleiro das trevas renasce»
O último capítulo do Batman visto por Christopher Nolan. Gostei do filme anterior e este, parece que vai ser algo extraordinário.
-«O artista»
Um filme europeu que tem dado muito que falar além fronteiras, e que me parece ser uma pequena pérola do cinema europeu. Jean Dujardin foi premiado em Cannes pela sua prestação.
-«O miúdo da bicicleta»
Mais um filme europeu, que parece ser simples à primeira vista, mas que talvez não o seja após a sua visualização.
-«O Deus da Carnificina»
O novo filme de Roman Polanski revela-se ser diferente e muito cómico, para variar um pouco do estilo do realizador.

«Charlatão» Holmes

Nesse maravilhoso mundo que é o cinema americano há sempre lugar para as deprimências que dão origem, ou a filmes de segunda, ou simplesmente, blockbusters ranhosos que arrecadam milhões em receitas de bilheteira durante um mês e meio e que, passados cinco dias após sairem do cinema, já ninguém se lembra da sua existência.

O mais recente exemplo desta segunda hipótese que apresentei é o segundo capítulo das aventuras cinematográficas de Sherlock Holmes realizadas por Guy Ritchie e com Robert Downie Jr no papel de um indíviduo que, quanto muito, é um lunático que se afirma ser Sherlock Holmes.

Para mim, o problema desta adaptação não é as cenas todas elaboradas, com cenas e ângulos de câmara mais virados para o "filme-pipoca". O problema é que vejo aquele filme e aquilo não é Sherlock Holmes. Não tem interesse, porque pegaram na personagem e fizeram um filme pouco interessante. Não é por o filme ser americano nem nada disso. Por exemplo, Steven Speilberg e Peter Jackson pegaram à sua maneira nas «Aventuras de Tintin» e fizeram um filme que, a meu ver, é muito bom. Este filme do Sherlock Holmes («Jogo de sombras») é apenas uma salganhada de efeitos especiais ordenados de maneira aleatória, bem como um argumento que nada tem a ver com as histórias de Sir Arthur Conan Doyle (que neste momento deve estar a dar umas quantas voltas na tumba), e não consegue ser inteligente, como as magníficas versões televisivas com Jeremy Brett (uma série de época com o ator que eu considero ser "o" Sherlock Holmes) e a mais recente, com Bennedict Cumterbach (uma adaptação das histórias de Doyle à realidade, muito bem conseguida e cuja segunda temporada estreou há dias no Reino Unido).

Por isso, petizes e grandizes, recomendo que não gastem seis euros por um filme que não vale o preço. Se eu nem consegui ver o primeiro todo quando passou na TV na época natalícia (fiquei tão enjoado que decidi ir dormir), este deve ser, com certeza, mais do mesmo. Isto é, recomendo isto às pessoas que gostem de filmes mais interessantes, sem terem de colar alguns espetadores só pelo aspeto visual da coisa. Os outros, podem ir ver à vontade. Deveis gostar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"Mas isso agora não interessa nada". E o programa em si, interessa? Nada. Nicles. Zero.

É a minha resposta à já famosa catchphrase dessa sotôra que é famosa por outros motivos (nomeadamente por ser uma apresentadora de programas reles e de, numa escala de zero a cinco, estarem num nível equivalente ao -1) chamada Teresa Guilherme. O programa, que a não ser que não tenham televisão em vossos lares (o que recomendo, com a quantidade de lixo que passa no ecrã mais vale olhar para o contentor do lixo doméstico da cozinha aqui de casa. É mais interessante), de que vos estou falando (ai tanto mau português em apenas um parágrafo de texto...) é... o dessa casa. Sim, é também um programa de mediocridade extrema, muito bem patente no programa de que vos falo nesta posta, a «Casa dos Segredos». Nem percebo (eu e muitos milhares de portugueses) se aquilo (nem é um programa, é simplesmente "algo") era a sério ou não. Vou ser sincero: em toda esta temporada, vi dois minutos da Casa dos Segredos. Minutos esses desperdiçados a ver um vídeo com uma tipa que achava que África ficava na América do Sul. Se a primeira série era um autêntico sucessor do «Big Brother», tão ou mais dedicado à piroseira popular, então esta sequela tornou-se uma autêntica pimbalhada idiota de primeira! Pessoas que deixam o cérebro apodrecer a ver uma casa com não-sei-quantas pessoas lá dentro a fazerem coisas-totalmente-desinteressantes-mas-como-é-o-programa-da-TVI-são-muito-cool deveriam ser postas em hospícios. Mas depois, quando é a cultura, já não veem algum cinema por ser lento, ou não leem certa literatura por ser chata, ou não veem boa televisão por ser interessante para as pessoas normais, e parva para essas pessoas que veem estas misérias. AHAH! E aquilo, não é lento, não é chato, não é parvo? Eles não fazem nada dentro daquela casa, caramba! NADA! E as pessoas veem à mesma. Telespectadores, metam-se na vossa vida e não na daqueles pirosos! Ide dizer mal do vizinho ou do gato da sogra, aproveitai para falar mal dos vossos entes queridos nas suas costas (algo que só a humanidade faz, e tão bem que o faz), mas não se preocupem com estes gandulos e os de supostas sequelas da sequela da «Casa dos segredos»

Não sei o que dizer. Só acho é estúpido, este tipo de programas. Este post não saiu bem (as usual) e não passa de um pensamento meu transposto na sua quase totalidade para este blog. Mas acho que perceberam a minha opinião. Acho que é quase geral. Embora muita gente diga que não goste do programa, e mesmo assim o veja... mas isso já é outra história. E sei que falar disto não vai mudar nada a mentalidade dos meus poucos leitores e por isso, o mundo continuará na mesma. Só sei é que, se eu pudesse, instalava um filtro de inteligência na minha TV.

Tenho dito.

Através da Noite

Este filme é curioso. Não me informei muito sobre ele antes de o ver, e só passado um bocado de ter começado a visioná-lo, é que me apercebi que era mesmo ficção, apesar de todo o ambiente meio "documental" que Woody Allen construiu no mesmo . Mas ao verem-se cenas com o estilo inconfundível do autor, é que me apercebi mesmo que era tudo ficção e nada de realidade. É um filme muito engraçado, sobre Emmett Ray, um guitarrista americano convencido, egocêntrico e arrogante, que se acha o melhor tocador de guitarra de todo o mundo. Ou aliás, o segundo melhor. À sua frente só fica o seu ídolo (quase como se fosse o seu Deus), um guitarrista francês, de nome Django Reinhardt. Esta obra é divertida e bem construída, e como já disse, tem lá a marca de Woody Allen. É por isso um filme diferente, de um autor que se distingue pela sua criatividade, que se demonstra com este filme, com boas interpretações e banda sonora. E tenham cuidado... pode parecer, mas este filme não tem nenhuma inspiração na vida de algum músico. A não ser que conheçam um guitarrista que tenha como passatempos andar aos tiros a ratazanas ou ver passar comboios de mercadorias. Assim mudo de opinião. Mas de resto... é tudo fruto da imaginação de Woody Allen.
Nota: * * * *

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

É do Woody Allen. Por isso, é bom

Este é um musical. Mas à Woody Allen. Ou seja, não é um filme musical aborrecido (como muitos o são) que se assemelha a estar a ver um canal de videoclips, numa espécie de playlist. É um musical neurótico e cómico, uma própria sátira às comédias musicais da primeira metade do século XX (e um bocadinho da segunda). Este filme musical distingue-se de muito dos outros do género por ter conteúdo. E ter piada.

Acho que um dos grandes dotes de Woody Allen é saber pegar num tema ou numa personagem ou trama que já usou várias vezes e dar-lhe nova injeção de criatividade. Woody Allen pode fazer filmes simples, mas que não nos fazem ansiar pelo final, para sairmos da sala de cinema e "ufa, que alívio". Ao contrário de muitas películas que gastam milhões na sua produção e fazem bocejar o espetador (pelo menos eu) de tanta mediocridade passados menos de vinte minutos da sua exibição.

«Everyone says I love you» critica e satiriza, como é hábito nos filmes de Allen, a estupidez de certas particularidades da vida e do amor. É um grande filme mágico, divertido e com uma magnífica banda sonora.
Nota: * * * * 1/2

Ladies first

Este «Primeiro as senhoras: retrato do último bom malandro», de Mário Zambujal, é um livro divertido, de leitura rápida e, por isso, muito acessível. Não é uma obra excelente, ao nível desse grande livro denominado «Crónica dos Bons Malandros», mas é uma história bem humorada, com o estilo cómico e a escrita característicos de Zambujal. Um bom livro para passar um bom bocado, seguindo o depoimento de Edgar a um inspetor da polícia por ter sido vítima de um suposto rapto.
Nota: * * * *

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Literaturas

Ando a ler um livro pequeno, «Primeiro as senhoras: retrato do último bom malandro», de Mário Zambujal. Estou perto de acabar. mas hoje descobri o ainda mais pequeno «Cão como nós» de Manuel Alegre, livro que li em menos de uma hora. É uma história bonita (penso que autobiográfica) sobre a importância, para uma família e para o Pai da mesma (e narrador da história), que tinha o seu cão Kurika. É um livro que aconselho porque lê-se muito rapidamente (li-o em menos de uma hora), e também porque é um tema que toca a toda a gente. As diversas situações que a família vai ser confrontada, algumas delas devido ao cão, são muito interessantes e muito comuns a muitas pessoas que têm ou já tiveram animais domésticos.

Nota: * * * *

Invictus

O ano de 1995 foi um grande ano. Não só porque nasceu o indivíduo que escreveu esta crítica, como também devido aos grandes filmes estiveram nomeados para os Oscares nesse ano (como «Os suspeitos do Costume» e «Pulp Fiction», se não estou em erro), e também porque foi o ano em que se deu o triunfo de Nelson Mandela, tema deste filme realizado por Clint Eastwood, de nome «Invictus». Mandela quis, a partir da equipa de rugby da África do Sul (os Springboks), dar credibilidade à sua mensagem e ao seu testemunho de vida, colaborando para que fosse possível a vitória do seu país no Mundial de rugby de 1995. Morgan Freeman está muito bem no papel de Nelson Mandela, assim como Matt Damon no papel de François, o capitão dos Springboks. Além de ser um filme sobre desporto, «Invictus» consegue ser também uma homenagem à vida de Mandela e à sua luta contra o apartheid, bem como um tributo à música sul-africana, graças à excelente banda sonora da fita, muito carregada com sons e estilos desse país. Em resumo, «Invictus» é uma fita muito boa, e está tudo dito.


Nota: * * * * 1/2

Precious

Um retrato negro e cru da vida num ghetto na América da década de 80, é como se pode resumir este filme, «Precious», sobre uma adolescente de 16 anos, vítima de maus tratos por parte da Mãe, e violada pelo Pai, que tenta fazer a sua caminhada ultrapassando alguns obstáculos pessoais que se lhe vão surgindo. Ver este filme foi uma grande surpresa. Não é dos tradicionais filmes melodramáticos todos bonitinhos de Hollywood, com uma Sandra Bullock ou uma Susan Sarandon a salvarem o dia e serem muito queridas e semelhantes a anjinhos muito santinhos (aliás, por mim, o Oscar não teria ido para a Bullock, mas sim para Gabourdey Sidibe, protagonista de «Precious»). É um filme realista, e por isso um filme extraordinário, com excelentes interpretações, argumento e realização. Dos poucos filmes dos Oscares de há dois anos que não são medianos. Este é extraordinário.

Nota: * * * * *

O Concerto

«O concerto» é uma história bonita, humana, cómica e dramática sobre música, relações humanas e a sociedade russa da modernidade, contando com muitos momentos de crítica ao modo de vida de certos particularidades desse país. O filme centra-se na história de Andrei Filipov, um grande maestro do teatro Bolshoï que viu a sua carreira arruinada por não seguir, trinta anos antes, não seguiu as ordens do Partido e decidiu continuar a tocar com a sua orquestra com músicos judeus, considerados «Inimigos do Povo», o que fez com que Filipov fosse também considerado uma ameaça para o regime comunista de então. Nos nossos dias, Andrei é um empregado de limpezas do Bolshoï que, ao ler um fax que não lhe era dirigido, mas sim ao diretor do teatro, descobre que um teatro francês quer que a orquestra vá tocar a Paris. Filipov decide reunir os seus antigos amigos (que estão também a trabalhar em pequenos empregos, fora do circuito musical), numa jornada até a capital francesa que se torna num grande filme europeu, divertido e emocionante, e muito carregado de humanidade. Uma pérola.

Nota: * * * * 1/2

Informação do Contra

Ontem, depois de chegar a Lisboa depois de um fatídico fim de ano e de poisar (sim, "poisar" soa mais engraçado que "pousar", daí eu ter incluído essa palavra neste post) as malas no meu quarto, qual foi a primeira coisa que este bípede fez? Jantar. Pois, mas depois disso, o que é que este bípede fez? Ver televisão, claro está! Depois de ter visto o grande filme «Invictus» de Clint Eastwood (uma crítica sobre esta fita, juntamente com as outras duas que vi durante estes dias em que estive fora das lides interneteiras, será publicada mais daqui a pouco), vi que, antes de me ter ido embora na sexta feira, tinha agendado a gravação de um programa da RTP memória. E que programa era esse, perguntam vocês? Não, não era um episódio da série daquele personagem que eu acho muito piroso e parecido com o Marco Paulo (ou seja, o «Knight Rider», que de Justiceiro tem pouco, embora seja este o seu título em português), nem era uma emissão do totobola de Janeiro de 1987.
O que eu gravei, meus amigos e minhas amigas (mais amigas do que amigos, é certo) foi, nada mais nada menos, que uma gala do «Contra-Informação» de 2001 que, por qualquer motivo que me escapa, a RTP memória decidiu exibir. E hoje de manhã estive a ver essa gala e a lembrar-me do quanto gostava daqueles bonecos meio tresloucados e muito cómicos, que animaram a televisão pública há até bem pouco tempo, antes do programa ser cancelado pela RTP, e assim desaparecerem personagens tão emblemáticas como Santana Flopes, Regressado Silva (que, na gala que foi reexibida ontem, se chamava ainda Acabado Silva), Marques Pentes (Ganda nóia, men!), José Trocas-te, enfim, uma panóplia de bonecada que representava o pior (melhor para os argumentistas do programa, que aí viam muitas oportunidades certeiras para criar grandes sketches) que a sociedade portuguesa tem. Caricaturas de figuras da atualidade da época (no programa de ontem reconheci algumas figuras, outras nem por isso, porque naquela altura ainda era muito pequeno para perceber o programa todo) que marcaram a televisão portuguesa. Ver aquele programa, hoje de manhã, fez-me voltar aos meus anos doirados (outra palavra que fica mais gira nesta versão do que na politicamente correta, "dourados") da infância, que foi muito marcada pelos bonecos e sketches do «Contra», que, na minha opinião, é uma versão mais inteligente e superior que o original britânico, «Spitting Image».

Pouco depois do programa ter acabado, correu uma petição para voltar a "ressuscitar" o formato, que, diga-se, estava um pouco mal nas suas últimas emissões. E eu, tal como todas as pessoas que viam o programa, tenho pena que tenha acabado. Poderia voltar num formato melhorado, mas enfim, a RTP assim não o quis. Restam as possíveis reposições futuras na RTP memória e os vídeos espalhados por toda a Internet, ou talvez um dia, alguma estação se aperceba que o melhor programa que versava sobre a atualidade, e mais importante, sobre a política nacional e internacional, era o «Contra-informação», e tal como o leite, nada o substitui.