sábado, 26 de maio de 2012

Eduardo Mãos de Tesoura


Se Tim Burton não tivesse a estranha infância por que passou, brincando em cemitérios e etc, será que o público conheceria obras que, ao mesmo tempo, conseguem ser extravagantes, arrepiantes... e bonitas, como é «Eduardo Mãos de Tesoura»?

Não, acho que não. Aliás, quem mais se lembraria de criar uma personagem que tem... tesouras nas mãos? Não vejo mais ninguém.

Mas deixem-me confessar, que este filme, e esta personagem, fazem parte da minha infância. Vi este filme várias vezes na TV em miúdo e sempre gostei da personagem do Edward. Mas, claro, fiquei sempre com uma imagem meio amigável e meio horrível dele. Ontem, ao rever o filme, nos primeiros minutos em que Johnny Depp, "vestido" desta personagem, aparece no ecrã, não percebi o porquê dessa memória. Edward era apenas um simples invento, simpático, que tenta lidar com as situações em que se envolve depois de uma vendedora da Avon o encontrar numa mansão abandonada decidir levá-lo para casa. Depois, mais adiante no filme, percebi porquê. Mas pronto, ele não é má pessoa. É preciso é ver a mente de uma criança de cinco anos, não é?

Enfim, gostei muito de ver o filme. Destaco, principalmente, a interpretação de Depp e a extraordinária banda sonora de Danny Elfman, "súbdito" de longa data de Burton, e que em «Eduardo Mãos de Tesoura», deixa um grande trabalho musical que merece ser atentamente escutado ao longo da fita. A história é cativante e original, e não deixa ninguém indiferente, sem dúvida. Apesar de tudo, é um filme para a família. E que é muito bonito, sem dúvida. Tim Burton não exagera nas partes mais "negras" do filme, e contrói um conto de fadas improvável e que é um regalo para os olhos de todas as gerações. Um filme cujo culto é merecido e vai continuar a merecê-lo!
Nota: * * * * 1/2

Touro Enraivecido


Há muito tempo que esperava voltar a ver um filme assim. Um filme que nos deixa completamente devastados e (para condizer com o tema do mesmo) em perfeito K.O.

«Touro Enraivecido» entrou para a minha lista de filmes marcantes assim que acabei de o ver. Martin Scorsese assina aqui uma das suas maiores obras-primas, que valeu o segundo Oscar ao sotôr de Niro, e, ao que parece, vai ter sequela (vejamos é o que vai sair daí).

O filme entra em, praticamente, todas as listas de todas as entidades e críticos deste mundo que trabalham no mundo do cinema. E, também, é fácil de perceber: «Touro Enraivecido» tem uma força (odeio esta palavra, mas cá vai) brutal, que prende o espetador ao ecrã, completamente petrificado com todo aquele trabalho tão bem planeado e executado. Daí também «Touro Enraivecido» ser considerado o melhor filme dos anos 80 (mas não nos podemos esquecer, contudo, de «Era Uma Vez na América», outra obra divinal da História da Sétima Arte).

Filmado inteiramente a preto e branco (o que assenta que nem uma luva ao filme), «Touro Enraivecido» conta a história de ascensão e queda do pugilista Jake La Motta (Robert de Niro), da sua família, da sua relação com o irmão (interpretado por Joe Pesci) e com o próprio desporto para o qual trabalha. Martin Scorsese é um mestre a contar histórias, e aqui sabe, como ninguém, recriar as lutas no ringue e as lutas pessoais de La Motta. Não é por acaso que é um dos realizadores mais influentes (e mais bem-falantes) de Hollywood. E «Touro Enraivecido» é um filme que, não tendo palavra melhor para o descrever, já que é nestes casos que fico quase sem saber o que dizer (e posso, então apenas engonhar por umas quantas linhas, como estou a fazer neste preciso momento), um filme arrebatador, espetacular e inesquecível. Vejam vejam vejam!
Nota: * * * * *

Querido Diário

De regresso, mais uma vez, ao universo extravagante e único saído da cabecinha pensadora de Nanni Moretti, com o filme «Querido Diário», uma mistura de documentário, drama e comédia, que valeu ao autor italiano o prémio de melhor realizador de Festival de Cannes do ano de 1994.

«Querido Diário» não pretende ser um filme vulgar, porque não segue a estrutura normal de uma obra cinematográfica, e consegue, em certa medida, reinventar o género: o filme é dividido em três capítulos, cada um deles com uma história completamente distinta: no primeiro, acompanhamos Moretti a passear-se de Vespa pelas ruas de Itália, abordando, em parte, a própria temática do cinema. No segundo capítulo, é-nos dado a conhecer um amigo de Moretti que não vê televisão há já três décadas. Contudo, num pequeno instante, tudo muda, num capítulo que satiriza os hábitos da nossa sociedade. No terceiro e último capítulo, Moretti fala-nos, num misto de realidade e ficção, nas suas deambulações por diversos médicos e especialistas em... coisas... de saúde, para tentar perceber a razão das suas excessivas comichões, numa sequência hilariante e que é bem atual, mais principalmente para nós, portugueses.

«Querido Diário» é mais um grande exemplo da extravagância/criatividade/inteligência do cinema de Nanni Moretti. Apesar de entrarmos nos pensamentos (muito, muito peculiares) do próprio Moretti, torna-se difícil que o espetador não se identifique com, pelo menos, alguns deles, e se ria de outros. Não é de espantar que Moretti tenha uma grande legião de fãs, já que consegue cativar as pessoas com histórias e ideias tão próximas de nós próprios. Um filme que não é para todos os gostos, mas quem quiser experimentar, a experiência vai-lhe trazer alguma coisa nova.

Nota: * * * * 1/2

quinta-feira, 24 de maio de 2012

As novas crises de infantilidade - Um Estudo de Caso a virar para o patético

Algo de muito errado se está a passar na nossa sociedade, no nosso país, no nosso continente, no nosso mundo, e no nosso quintal.
A cada dia os adolescentes (indivíduos que pertencem a idades compreendidas entre tal e tal) me questionam mais sobre o sentido das coisas. E sim, eu próprio sou um adolescente.
Na noite de ontem, a minha irmã mais velha pediu-me para ir ao parque infantil aqui ao pé de casa buscar a bola que ela e o meu sobrinho se tinham esquecido. Foi uma proposta que não pude recusar. Não que me tivesse sido apontada uma arma à testa ou me tivesse sido impingido certas formas de chantagem se não o fizesse. Simplesmente, como o parque é a dois passos de casa, e até já estava a ficar fresquinho, nem me importei, e lá fui eu, numa demanda nada "indianajonezesca" em busca da bola perdida.
Correu tudo bem. Cheguei lá, tudo silencioso. Até pensei: «Olha-me esta, hein? Então hoje não 'tão cá aqueles "tineijers" meio pirosos que costumam habitar este recinto à noitinha para atividades lúdicas como... não sei o quê». Quando, subitamente, me virei acidentalmente para a minha direita, depois de ter apanhado a bola do chão, e... não é que estavam lá três pirralhos (digo "pirralhos" mas eram bem capazes de ser mais velhos que a minha pessoa) escondidos dentro do escorrega mais pequeno, quietos como ratos, a fazerem... coisas?
Daí reacendeu a chama da minha revolta antiga, que originou este post: penso que, a cada geração, os adolescentes se tornam mais infantis. Não é por mal, mas... qual é o interesse, miudagem? Irem para dentro de um parque infantil, geralmente habitado por garotos com idade inferior a... vinte meses, para fazerem coisas a armar ao fino e que são muita "cooles" (e vocês bem sabem do que eu estou a falar, hein?!)? Mas qu'é isto? Qu'é isto?
Têm tanto sítio giro para irem... fazer as vossas coisas. Olhem, têm as discotecas (já que gostam tanto), têm as noites no Bairro Alto, têm as vossas próprias casas (e entradas das mesmas) mas, co'a breca! Parques infantis? Really?
Onde é que vocês acham, ó malta armada que "ena pá eu fumo charros eu sou o maior do mundo por isso", que o Tony Montana, A.K.A Scarface, lançou-se no mundo da droguice? Nããã, ele não estava instalado na Bracalândia, nem muito menos no Portugal dos Pequeninos (que, pensando bem, até nem era um sítio mau para os personagens mafiosos do Joe Pesci. Qualquer um deles. São todos pequenos!). Ah pois!
Por isso, Jovem, se estivestes a ler estas linhas e és um potencial interessado em conhecer os caminhos da droga, recorre a sítios apropriados, e contacta o(s) dealer(s) da tua escola (uau, isto parece daqueles anúncios de saúde... virado ao contrário)!
Agora, deixem é os escorregas serem usados para quem quer... escorregar, neles, ok?
Ah, é verdade, ó graffiteiros de primeira água, que enchem as estruturas dos escorregas das vossas zonas com mensagens do género «Ana Paula Loves Roberto Best of The World Yeah Die Motherfuckers I am a nigga yo», parem com isso, sim? É que é feio. Pensem nas criancinhas. Era péssimo se elas continuassem depois, a vossa "obra". Não penso que vossemecês ficariam orgulhosos se os vossos filhos enveredassem pela vossa via. Ah, pois, se calhar vão é dizer «Vai trabalhar p'ra comer!». Pois...
E era só isto.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Desculpem lá qualquer coisinha...

É só para pedir desculpa se tenho andado meio ausente deste estaminé. Mas, como deveis saber, a vida estudantil é complicada nesta época do ano (embora a minha vida pareça mais infantil, neste momento), e por isso não tenho tido o tempo que queria para vir para aqui escrevinhar sobre assuntos. Se soubessem a quantidade de ideias que tive para posts nesta Companhia e que se desvaneceram com o tempo por causa de não surgirem na altura ideal para a passagem das mesmas para palavras escritas.... às vezes estou a estudar e pumba! Uma ideia que de seguida me esqueço porque o que me tenho de preocupar é a Política Agrícola Comum, criada por Fontes Pereira de Melo para salvar o Jacinto da civilização parisiense.
Ups, estou a misturar matérias, o que não é nada bom.
É melhor calar-me, a ver se acerto com a memória, qu'isto 'tá tudo trocado. Ora com licença.

O Delfim

Nos últimos tempos, parece que eu tenho andado melhor com o cinema português, apesar de algumas pessoas ainda dizerem que eu não gosto do cinema do nosso país. «O Delfim» é um bom caso de um bom filme feito na nossa língua. Mas o que é engraçado (e só reparei depois de, aos saltos, ouvir os comentários de João Lopes com o realizador Fernando Lopes ao filme) é como este filme pode ser alvo de algumas comparações com outra obra de Fernando Lopes, que eu vi e que não apreciei: «Uma Abelha na Chuva». E de facto, é verdade: há alguns planos de câmara idênticos, algumas fórmulas cinematográficas são comuns nos dois filmes, etc.

Mas o que falha em «Uma Abelha na Chuva» acerta em «O Delfim»: o elenco é bem melhor, assim como o argumento (da autoria de Vasco Pulido Valente) e a realização, que me parece muito mais segura do que no outro filme mencionado de Fernando Lopes.

Adaptado do romance homónimo de José Cardoso Pires, «O Delfim» narra a história do casal Maria das Mercês e Tomás Palma Bravo, proprietários da Lagoa e da Gafeira, da relação atribulada entre marido e mulher e do ambiente da aldeia que nos faz pressentir que por ali andam fantasmas do passado. Um amigo dos Palma Bravo, regressa no ano seguinte à Gafeira, onde fica a saber da morte de Maria das Mercês e de Domingos, o empregado dos Palma Bravo.

Um bom filme e uma grande obra que marcou o cinema luso, «O Delfim» é curto e incisivo, que não sai da nossa memória e que traz uma ambientação de um Portugal cinzento, triste e sombrio, nos anos 60 do século passado de uma forma muito interessante.

Nota: * * * *

Alice

Admito: até hoje não vi nenhum filme de Woody Allen que tivesse de considerar mau. Não tenho tido razões para isso. Os dezanove filmes que vi até agora do autor foram uma boa seleção e dela não me arrependo. «Alice» é um dos melhores entre os 19, para mim. Não está no parâmetro das obras-primas, mas é uma grande comédia.

Neste filme, Allen constrói a vida de uma "dondoca" de nome Alice, que passa a vida a fazer coisas fúteis, que para ela têm o maior significado do mundo: ir ao cabeleireiro, falar com as amigas (também elas umas grandes "dondocas"), enfim, a vida de Alice é simplesmente um vazio sem qualquer tipo de interesse. É então que todas as amigas lhe aconselham, para aliviar as dores nas costas, os serviços de um estranho acunpuncturista chinês, que através de um pacote de ervas, vai entrar mais a fundo na mente da senhora e descobrir alguns problemas que lhe vêm na mente. Entretanto, Alice conhece um homem pelo qual se sentirá apaixonada, e é também com a ajuda das ervas do seu novo "médico" que ela poderá descobrir mais sobre essa figura. A pouco e pouco, Alice começa a aperceber-se da insignificância da sua vida. Só faltará é que faça alguma coisa para mudar essa situação.

Woody Allen regressa a cada ano com um novo filme e sabe reinventar-se de uma maneira espantosa: «Alice» é tanto uma comédia satírica de uma classe média nova iorquina habituada a uma diversidade de luxos fúteis e inúteis e a uma vida de consumo desenfreado, como uma crítica inteligente ao amor (mais uma vez, mas sempre com criatividade, Allen aborda o tema) e também, em parte, à religião e às crenças de cada um (também outra vez, mas nunca da mesma maneira - Allen parece que, em todos os seus filmes em que aborda a temática da religião, ela é vista de uma perspetiva diferente). Um grande elenco, encabeçado por Mia Farrow, Joe Mantegna e William Hurt, com um argumento genial de Woody e uma realização do mesmo a que o público já se habituou, «Alice» é uma jóia da comédia, que merece mesmo ser vista.

Nota: * * * * 1/2

Contado Ninguém Acredita

Eis que a ficção se mistura com uma ficção dentro da própria ficção nesta comédia americana «Contado Ninguém Acredita», realizada por Marc Foster. A partir de um argumento inteligente e promissor (mas que no final se torna demasiado choninhas, infelizmente) e de um elenco cinco estrelas, composto, entre outros, por Dustin Hoffman, Will Ferrell, Emma Thompson e Queen Latifah, «Contado Ninguém Acredita» mostra o processo criativo atribulado de uma escritora para a feitura de uma nova obra literária, e o filme mostra, ao mesmo tempo, o caminho que o personagem da escritora segue segundo o que a mesma está a escrever. A (suposta) realidade e a ficção do livro misturam-se quando o personagem começa a aperceber-se da estranha "voz" que narra todas as suas ações, e, com a ajuda de um professor de literatura, descobre que está dentro de uma história, e daí, o seu objetivo será encontrar a autora da história, para que ela não ponha na mesma um trágico final.

«Contado Ninguém Acredita» contém alguns dos ingredientes que perfazem uma boa comédia: um enredo engenhoso, bem construído, inteligente e repleto de mecanismos cómicos que muito bem se encaixam entre si, e uma realização e um elenco que estão à altura do argumento. Este é um bom filme para descomprimir e aliviar o cérebro por um bom bocado, para uma pessoa poder libertar-se um pouco do seu quotidiano fastidioso e entrar neste filme encantador.

Nota: * * * *

Caos Calmo

Nanni Moretti revela-se em «Caos Calmo» como um grande ator, faceta ainda mais reconhecível do cineasta italiano neste filme do que os que foram realizados pelo próprio.

Em «Caos Calmo» seguimos as atribulações de Michelle e da sua pequena filha depois da morte da esposa. E quando chega a altura da filha regressar à escola, Michelle decide esperar todos os dias por ela, à porta do recinto da mesma, sentado num banco de jardim. E nunca uma peça de mobiliário deve ter tido tanto uso num filme: é lá que que surgem pessoas que Michelle vai conhecer e com quem desenvolve uma relação de cumplicidade, e onde os seus colegas do emprego vão ter com ele para pedir conselhos ou para contar novidades da empresa, e que, também, Michelle começa a reaprender a vida e o que ela tem de bom.

A par de uma ou outra cena dispensável (e que, se não tivessem sido a razão principal para muita gente ter visto este filme no cinema, essas partes inusitadas deveriam fazer parte daquele extrazinho dos DVD's que dá pelo nome de...cof cof... «Cenas cortadas») e que para nada servem na ação do filme (retiravam-nas e nada mudava, é que mesmo NADA!) e uma realização por vezes rápida demais que parece não saber aproveitar ao máximo as situações que a história oferece, «Caos Calmo» é uma boa película italiana, humanista e simples, mas que nos deixa uma forte marca no coração (não fosse uma das cenas, cof cof, lá perto do final, e talvez a marca fosse ainda maior) recorrendo a um estilo dramático já usado em muitas fitas célebres italianas, que não precisa de ser lamechas para nos levar uma lágrima ao olho.

Nota: * * * *

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sweet Little Seventeen!

E pronto. No dia de ontem cheguei àquela idade em que a música dos GNR, aquela que eu mostrei um elevado interesse há uns tempos, deixou de fazer sentido (se é que tinha algum) . Então porquê? Porque já não tenho dezasseis anos. E por isso, já não tenho o desgosto de vestir como os DJ's, tenho agora tempo (como já 'tou noutra idade) de ler «O Senhor dos Anéis» (embora, senhor Tolkien, com muita pena minha, penso que isso não irá acontecer... por agora) e, mais do que isso, falta ainda menos para chegar aos 96.
(ok, para compreenderem o sentido de todo o parágrafo anterior, ouçam atentamente a letra de "Sub-16", dos GNR. Depois vão perceber. Ou não. Também, é música dos GNR, portanto, percebo que seja de difícil compreensão)
Mas pronto, confesso. Com 17 anos continuo a gostar da música. Era idiota se deixássemos de gostar de uma música só porque a idade é outra. OK, a não ser que se esteja a falar dos sucessos do Netinho, daquela música estúpida de uma banda chamada Cartoon e de milhentas músicas infantis que se tornam um pouco patéticas com o tempo. Mas pronto! De resto, não há desculpa! Ou há? Agora não sei.
Continuando: chegou-se a essa idade... a essa idade... ia dizer "mágica", mas penso que iria estar a cometer um grande erro. Porque afinal, os 17 anos não tem qualquer importância. É apenas uma transição da primeira conquista da adolescência, os 16, para a outra, a dos 18, onde o ser humano atinge a maioridade. E, além disso, 17 é um número feio. 17... bah.
O que interessa é, no dia em "que o rei fez... 17 anos", há festa! E este ano, a festa até foi bem especial. Além do já habitual mimo familiar, é gratificante chegar-se à escola, receber um "PARABÉNS" de toda a turma em uníssono, e ter uma dedicatória no quadro escrita por duas grandes amigas minhas (ver imagem acima). E, por isso, o que importa não é a importância da idade. É ter-se a família e os amigos a festejá-la connosco, independentemente qual seja.
Veremos se os 19 anos terão tanta festividade como os 17. Eh eh eh...

3 anos é muito tempo (mas o Paulo de Carvalho tem razão, 10 é muito mais)

Eu gosto tanto, mas tanto, mas taaanto deste meu blog, que me esqueci que, no passado dia 2 de Maio, completaram-se três anos sobre o seu nascimento.
E só me lembrei agora.
E isto é um bocado deprimente.
Bem, parabéns às Amêndoas, e que contes muitos, hein pá?!
Pronto, a celebração já foi feita, posso voltar à normalidade.
Vou colar cromos.
Futebol português dos anos 60! Iupi!
Com licença.

sábado, 12 de maio de 2012

Imperdoável

(É incrível que, quando uma pessoa pensa que esteve a fazer um texto consideravelmente bom, o consegue perder de um momento para o outro. Enfim, vou tentar reconstituir aqui a minha primeira versão desta minha apreciação:)

«Imperdoável» é daqueles filmes que, a dada altura, nos faz sentir uma certa impressão na barriga, devido à profundidade da ação e porque esperamos, com ansiedade, todos os acontecimentos que se sucederão até à fita chegar ao seu final.

Clint Eastwood reuniu todos os ingredientes para elaborar um grande western, e também um grande filme: um excelente elenco, um argumento poderoso e muito bem escrito, e uma realização firme e inteligente. Eastwood sabe-la toda. E, por isso, a Academia não hesitou em premiar esta obra com quatro estatuetas do tio Oscar.

Mas o que eu mais gostei em «Imperdoável» foi a sua atmosfera, densa, negra e profunda, que dá um tom mais sombrio ao género western, não deixando de respeitar os "parâmetros" estabelecidos para esse género cinematográfico. O realismo da ação cria uma espécie de cumplicidade entre o espetador e o universo de ficção que rodeia o filme, algo que é digno de nota e que é muito difícil de atingir, e que apenas uma carreira sólida e bem estruturada no cinema, como é o caso da de Clint Eastwood, pode conceber.

Uma coisa interessante é Munny, a personagem interpretada pelo próprio Clint Eastwood, e a psicologia da mesma, que vai evoluindo cena por cena, até culminar no final da fita. Se alguém que tivesse visto o filme na íntegra contasse a alguém que tivesse visto apenas os vinte primeiros minutos do mesmo a evolução de Munny a nível psicológico que nos é mostrado no filme, essa pessoa, talvez, não fosse caaz de acreditar nisso. Eastwood bem merecia o Oscar por esta interpretação, mas perdeu-o para Al Pacino, que esteve também brilhante em 1993, com o filme «Perfume de Mulher». Contudo, não são os prémios que designam uma boa interpretação, e, se contarmos o número de excelentes atuações (incluindo do próprio Pacino) que nunca foram galardoadas com qualquer tipo de prémio, então ficaríamos com um número bastante significativo.

«Imperdoável» é um excelente filme, ponto final. É uma fita obrigatória, para todos, independentemente de gostarem de Cinema ou do género Western. «Imperdoável» é um filme que se entranhou na História de Hollywood, e que não vai perder, com certeza, o estatuto que ganhou passados vinte anos, por muito tempo.

Nota: * * * * *

Pingo Doce VS Continente - Episódio V: A Vingança das Promoções

E pronto, lá voltou esta terrível, temível e imbecil saga de ficção cientifico-parvoíce, que promete ter muitos mais episódios do que a famosa saga das estrelas do Jorge e do Lucas.
Como todos sabemos, no dia 1 de maio, o Pingo Doce decidiu arrasar, colocando uma promoção no ar, que fez com que milhares de portugueses acorressem às lojas desta marca, propriedade da Jerónimo Martins. E, quais feras acabadas de sair da jaula, os "pingo-docenses" dominaram por completo a arte supermercadeira do dia, criando o caos em várias zonas do país devido à terrível promoção.
Belmiro de Azevedo e a sua SONAE decidiram competir (mais uma vez) ao seu maior rival, lançando também uma série de promoções para tentar destruir todo o trabalho de publicidade criado pelo Doce do Pingo. E, lá está, essa marca também continua com as suas promoções, com os seus cabazes e as mais persistentes e clássicas "Leve 2 Pague 1", que, há uns poucos anos, a própria marca de supermercados dizia não necessitar delas para ter os melhores preços.
No entanto, a promoção do dia 1 de maio do Pingo Doce, apesar da forte aderência dos consumidores, causou um enorme prejuízo à marca. E, depois de ter anunciado que pretendia fazer mais coisas destas todos os anos, afinal o Sr. Jerónimo mudou de ideias e já não quer voltar a estas promoções causadoras de tanto barulho semelhante ao cenário da pior guerra que possam imaginar.
Contudo, a verdadeira guerra continua, e Sonae e Jerónimo Martins continuarão a competir. Quem levará a melhor? Quem irá sair vencedor desta batalha? Qual dos supermercados terá de abrir falência em 2013? E por fim... qual das marcas conseguirá fazer uma melhor promoção de lombos de salmão?
Saberemos mais informações no próximo capítulo desta saga, que sairá quando assim se achar conveniente.
Até lá, bom fim de semana e... boas compras!

Verdes Anos: A odisseia de um grupo de teatro escolar

Depois de vários meses de intenso trabalho e esforço de todos os elementos do nosso grupo, eis que levámos, na terça e quarta-feira da semana passada, a nossa peça «Verdes Anos» aos palcos da Sala Polivalente do Liceu Rainha Dona Leonor.
«Verdes Anos» é uma peça sobre a memória, o conflito entre gerações distintas e o modo como o presente é influenciado pelo passado. É uma peça dividida em três atos, cada um deles contando uma história distinta: no primeiro, um senhor de idade conversa com um rapaz mais novo (interpretado por mim) sobre a adolescência e outras problemáticas, culminando com um momento musical em que também participei (a cantar horrivelmente mal, mas pronto... ao menos as pessoas, como eu cantei com microfone e, por isso, o som da minha voz se confundiu com o som da música, pensaram que eu cantei em playback!), O segundo passa-se numa sala de aula, em que uma professora conversa com cinco alunas do papel da Mulher na sociedade de hoje. Já o último ato é uma autêntica cena revisteira à portuguesa, completamente hilariante, passada no lisboeta Bairro da Bica.
Com esta peça a autora, a Professora Catarina Machado, pretendeu homenagear diversas figuras marcantes da nossa cultura: Amália Rodrigues, Paulo de Carvalho, Raul Solnado, Ivone Silva, Beatriz Costa e Rui Veloso são algumas das figuras que inspiraram esta peça, que constitui um grande orgulho para o nosso grupo. O sucesso de todas as atuações foi gigantesco, o que fez com que começasse a ser planeada mais uma atuação, para o último dia de aulas deste ano letivo.
A magia do teatro continua, assim, no Rainha, e esperemos que permaneça por muito mais tempo!

Sobre o DN-Escolas

Não passámos à fase final deste concurso... e voltamos ao que aconteceu no ano passado. Havia grupos muito melhores que os selecionados, e que não passaram. E o nosso grupo, que este ano mandou uma reportagem que cumpria todos os parâmetros, nem era a pior...
Mas enfim, já foi muito bom termosa conseguido entrevistar o Nuno Markl, e criar toda a dinamização que conseguimos na nossa escola, facto que nos vai valer um prémio especial para os quatro (não sabemos é o que é). E, uma coisa é certa: já foi muito importante o que começámos a fazer. E, mais o teatro e a banda da escola, talvez o Rainha possa ser um espaço mais animado e que aproxime mais quem o "habita" diariamente.

Manhã Submersa


OK. Para todos os que pensaram que eu não gostava de cinema português, esta crítica é-lhes dirigida. E porquê? Porque adorei «Manhã Submersa», de Lauro António, adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira, que faz também ele de ator neste filme, reencarnando o reitor do seminário do universo (muito autobiográfico) que criou para o seu livro, numa atuação, no mínimo, surpreendente.

Mas antes de falar no filme em si, tenho de falar novamente sobre a qualidade do filme. Não da imagem HD ou coisas do género, mas sim, a cópia do filme que foi transferida para o DVD. E que é que eu posso dizer sobre ela? Que é péssima. Mas também o próprio filme em si, pareceu retirado da internet... Irritou-me solenemente estar a ver cenas brilhantes deste filme, e ser de repente incomodado com os grãos a aparecerem constantemente e as falhas da fita. Ou seja, não há restauro de um filme tão importante como este porquê? Para quê lançarem filmes destes se têm uma qualidade "imprópria para consumo", digo-vos eu? Ou então, porque é que ninguém se lembrou de lançar uma limited-exclusive-extended-collector's edition deste filme, onde se poderia incluir a versão feita para televisão do mesmo? Enfim, cenas que só um país como Portugal pode proporcionar.

Agora passo à minha apreciação de «Manhã submersa». Tenho pena que Lauro António não tenha tido uma carreira maior em termos cinematográficos. Sempre gostei deste cinéfilo, sigo as suas atividades no facebook e nos seus diversos blogs, mas, claro, descobri-o por causa da famosa imitação do Herman. Como é sabido, Lauro António é um grande entusiasta do cinema americano, principalmente dos grandes clássicos de autores como Orson Welles, Griffith, Cecil B. DeMile, etc. E, em «Manhã submersa», o realizador (que escreveu também o argumento do filme) soube pegar no melhor do que o cinema clássico americano trouxe ao mundo e à sétima arte, para depois, no final, dar uma abordagem inspirada do cinema vindo dos states, fugindo o suficiente dessa inspiração para não ser uma cópia, e sim, tornando o filme original e seu. O elenco é excelente e muito surpreendente, com uns superlativos Canto e Castro e Eunice Muñoz. E a crítica feroz, levada ao extremo, dos exageros e atrasos da Igreja Católica, foi bem expressa neste filme, que é uma grande obra do cinema português, e uma grande obra da Sétima Arte em geral. Este foi o filme que fez com que Portugal estivesse o mais perto possível de ser nomeado para o Oscar. Mas não é por isso que vale a pena ver «Manhã Submersa». Vale a pena ver por se tratar de um filme inigualável.

Nota: * * * * 1/2

Palombella Rossa

Penso que «Palombella Rossa» não é um filme que toda a gente consiga perceber. Eu próprio tive dificuldade em encaixar o sentido de algumas cenas da fita na minha cabecinha, mas no fundo, consegui perceber a história em geral e o significado que Nanni Moretti pretende transmitir com a mesma. Moretti faz quase de si próprio, sendo Michele, um dirigente do Partido Comunista Italiano, e jogador de pólo aquático com já uma longa "carreira" nesse desporto. Entretanto, um acidente de automóvel obrigará Michele a tentar recordar-se dos motivos que o levaram a praticar o pólo aquático e a seguir a ideologia política que defende, enquanto decorre um jogo decisivo para a sua equipa, em que vai encontrar diversas (e caricatas) personagens: um teólogo, um jovem católico, um sindicalista, uma jornalista e dois indivíduos bizarros que estão sempre a tentar oferecer-lhe tartes.
«Palombella Rossa» é um bom filme de reflexão sobre nós próprios e sobre a maneira como defendemos o que acreditamos. Não é um filme que consiga chegar a toda a gente, o que pode ser uma desvantagem para muitos, mas penso que Nanni Moretti, através de um argumento extravagante, e de um conjunto de personagens também elas extravagantes, conseguiu criar uma boa fita que, apesar de abordar temas que, certamente, não tocarão a todos (e, neste caso, falo do comunismo), é de facto, uma visão cinematográfica de uma realidade que faz sentido para todos nós. Quem é que nunca se sentiu, por vezes, ostracizado por defender um ideal ou um gosto diferente da maioria? Quem nunca se sentiu pressionado (e muitas vezes irritado) com pessoas que não fossem do seu agrado? Daí ser importante o visionamento de «Palombella Rossa», porque faz um retrato original da relação que os seres humanos têm uns com os outros e com o meio em que vivem, e todas as suas condicionantes. É um pouco bizarro, este filme, mas sem dúvida, vale a pena ver.
Nota: * * * *

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Morreu Bernardo Sassetti

Tive oportunidade de ver Bernardo Sassetti ao vivo, acompanhado pelo seu colega Mário Laginha, no verão do ano passado. O concerto foi único. E, infelizmente, devido a um infeliz acidente, morreu este grande compositor português hoje, aos 41 anos. Ficam as suas composições para a História, como é o caso desta, intitulada «Noite». RIP

domingo, 6 de maio de 2012

Um Rei em Nova Iorque


Em 1952, devido a (falsas) suspeitas de estar ligado ao partido comunista americano, em plena época de fanatismo como foi a da "caça às bruxas", o génio da comédia Charlie Chaplin é obrigado a fugir do país que o deu a conhecer ao mundo, refugiando-se na Europa enquanto o McCarthyismo perdura nos EUA.
Em 1957, Chaplin realiza, escreve, interpreta, produz e compõe a música de «Um Rei em Nova Iorque», uma comédia que pretende ser uma sátira ao modo de vida e à cultura dos americanos, através de história de um rei fictício, Shadov, que exila-se nos EUA para sobreviver à tirania vivida no seu país. E é nos states que Shadov conhecerá as manias americanas, a publicidade excessiva que inunda tudo quanto é sítio, e o fanatismo deste povo em certos aspetos, que infelizmente permanecem hoje em dia, mas de uma forma diferente. Shadov vai-se ver sem dinheiro (pois o seu tesoureiro fugiu e levou-lhe a massa toda), mas a sua repentina popularidade (devido a um programa de apanhados em que foi a personagem principal) vai ajudá-lo a angariar dinheiro com muitas propostas publicitárias que começam a florescer.

Na minha opinião, o filme é interessante, mas, infelizmente, não conseguiu ser bom, ou tão bom como os anteriores filmes de Chaplin, autor de grandes obras-primas do cinema como «Tempos Modernos», «O Garoto de Charlot» e (o meu favorito de todos) «O Grande Ditador».

Mas, é claro, temos de contextualizar a feitura deste filme com as dificuldades com que Chaplin teve de se debater para o fazer, toda a pressão da rodagem do filme (que, citando o especialista em Chaplin, David Robinson, que faz uma pequena introdução ao filme, dá para se sentir que o filme não foi feito com calma) e claro, os poucos meios que o cómico teve para concretizar a sua comédia. Mas pronto, o filme tem algumas coisas más, e outras coisas boas. Há cenas do filme que são profundamente de génio, mas «Um rei em Nova Iorque» deixa muito a desejar: cenas montadas à pressa, que se sucedem umas às outras sem qualquer objetivo e sim apenas para Chaplin se "vingar" da América, esquecendo-se de alguns pontos-chave de uma obra cinematográfica (como uma história bem desenvolvida), a montagem feita à pressa e um final demasiado curto e pouco trabalhado, fazem com que esta fita não passe do interesse de se a ver uma vez na vida e nunca mais. E penso que, se os últimos dez minutos do filme fossem mais desenvolvidos e tivessem a mesma qualidade que algumas cenas do filme, talvez esta obra pudesse ser mais memorável. Havia tanto para explorar e "atacar". É verdade que as condições não foram as melhores para «Um rei em Nova Iorque» poder ser melhor do que se tornou, mas, pelo menos, Charlie Chaplin deixou uma comédia interessante, que entretém quem a vê, e que também reflete a vida da época e a fase mais turbulenta da vida de um dos maiores cómicos da História do Cinema.

Nota: * * * 1/2

A Rosa Púrpura do Cairo



O 18.º filme que vi de Woody Allen é simplesmente mágico. E deve ser dos mais originais e cativantes filmes do realizador. Quem nunca imaginou que, quando vemos um filme, é como se os atores estivessem a representar só para nós? Foi essa ideia que Allen pretendeu transmitir com este filme, e como, muitas vezes, a personagem e o ator que interpreta, não são tão parecidos como imaginamos. Nesta fita, que é das mais aclamadas do realizador, a personagem de Mia Farrow é uma viciada em filmes e ficou fascinada pela última estreia no cinema do bairro: «A Rosa Púrpura do Cairo». E, quando foi ver o filme pela quinta vez, uma das personagens decidiu sair do ecrã para a ir conhecer. Surreal, não é? Nada de mais para Woody Allen, que sabe concretizar as ideias mais absurdas com uma perna às costas.

Entretanto, a rebeldia da personagem do filme causa uma grande polémica e a desordem total no mundo do cinema, e então, o estúdio responsável pela «Rosa Púrpura do Cairo», decide enviar para lá o ator que encarnou a personagem, que entretanto, está perdida de amores por Mia Farrow. Só que, depois, ela terá de escolher entre a personagem irreal e o ator de carne e osso e não-ficcional.

Este é dos filmes mais bonitos de Woody Allen e que brinca com o conceito do próprio cinema de uma maneira muito engraçada e original. Comparo este filme a um mais recente, «Meia-noite em Paris», por uma simples razão: faz-nos transportar para ideias que só existiram mesmo dentro da nossa cabeça, de uma maneira completamente mágica e cativante, pondo Allen num lugar de topo como um dos maiores criativos da história de Hollywood.

Nota: * * * * 1/2

Scarface - A Força do Poder

É impossível acrescentar algo de novo a tudo o que já foi dito e escrito sobre «Scarface - A Força de Poder», o filme de Brian de Palma adaptado do original de Howard Hawks. O que posso apenas dizer é que me posso juntar à (enorme) legião de fãs que idolatram este filme, e mais precisamente, a personagem principal, o traficante Tony Montana.

Achei muito curioso todo o culto à volta do filme. Os extras do DVD, que são muito interessantes, deram-me a entender a enorme influência que «Scarface» tiveram na cultura popular americana (e não só). E isto só alguns filmes são capazes de fazer: serem tâo bons que começam a fazer parte da sua própria cultura. Tal como acontece com «O Padrinho».

A história centra-se numa América de princípios dos anos 80, onde conhecemos Tony Montana, um dos muitos presos cubanos que foram "enviados" para os states, a ordens de Fidel Castro. E, depois, tudo o que se segue é, nada mais, nada menos, que a ascensão de Tony no mundo da droga, tornando-se um dos seus maiores traficantes. Mas, claro, nem tudo são rosas, e para se ter o sonho americano, é preciso pagar um preço...

Ao contrário de algumas pessoas já confessaram (tal como o Nuno Markl, numa edição da «Caderneta de Cromos» dedicada a este épico do crime), eu não fiquei, depois de ver esta fita, com vontade de ingressar no mundo da droga. Muito pelo contrário! Até porque o filme consegue ser tão real, mas tão real, que teria receio de fazer parte de um mundo daqueles. É tudo muito giro, à primeira vista, mas eu não gostaria nada, de ser como o Scarface.

Mas pronto, só sei é que o filme foi uma ótima experiência de cinema. O argumento, da autoria de Oliver Stone, está muito bem escrito, a realização de Brian de Palma é muito competente e poderosa, dando ao filme um estilo muito próprio e diferente do que o habitual, e claro, a interpretação soberba de Al Pacino. Que mais posso dizer sobre este filme? Bem, de momento, não sei de mais nada - ainda estou completamente de boca aberta, dois dias depois de o ter visto. Ainda se vai ouvir falar deste filme por muito, muito tempo.

Nota: * * * * *

terça-feira, 1 de maio de 2012

Cartas de Iwo Jima

«Cartas de Iwo Jima» é o filme que complementa as duas visões do terrível conflito que, durante a Segunda Guerra Mundial, teve lugar na ilha de Iwo Jima. Depois da perspetiva da fação americana do combate, é aqui mostrada, neste filme, a versão japonesa dos acontecimentos. Partindo de escritos reais do general Kuribayashi, Clint Eastwood e a sua equipa reconstituem, da forma mais fiel possível à realidade (mais uma vez), os dramas e as peripécias que os combatentes japoneses tiveram que passar durante o conflito. E se o primeiro filme, «As Bandeiras dos Nossos Pais», já tinha sido um filme bastante bom, este tornou-se excelente, por ser ainda mais profundo e por analisar melhor o que se passou na ilha de Iwo Jima. Praticamente quase todo falado em japonês, este filme é uma lição de História, uma lição de Cinema, e também uma lição para o Mundo, pois o objetivo de todo o filme será que todos aqueles procedimentos de guerra não passem deste filme e que não voltem a tornar-se realidade. Em «As Bandeiras dos Nossos Pais», abordava-se mais em pormenor o mudar de vida que um indivíduo sofre depois de ter estado a servir o seu país em guerra. Em «Cartas de Iwo Jima», é-nos mostrado, de uma forma intensa e, em certos momentos, chocante, de como a mentalidade de todos aqueles soldados fica perturbada, e mudam as suas noções de patriotismo ao encararem com as mortes, as catástrofes, e por uma derrota, que a cada dia se tornará mais certa. «Cartas de Iwo Jima» é um excelente épico de guerra que já se tornou um clássico, e dos mais realistas e mais interessantes filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. Os dois filmes devem, de certeza, ser vistos, pois complementam-se um ao outro, mas penso que esta visão dos japoneses torna-se mesmo obrigatória para quem gosta de filmes deste género, com um certo toque de humanidade, que nos mostra que as pessoas não são máquinas prontas a destruir o primeiro ser humano que lhes aparece à frente.

Nota: * * * * *