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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2013

Odisseia: algo inovador na televisão pública

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«Odisseia», um dos projetos humorísticos mais badalados dos últimos anos na RTP, é outro conceito inovador que, a par de «O Humorista», mostra a necessidade crescente de programas de comédia portugueses na nossa TV. Protagonizado por Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington, «Odisseia» conta, em jeito de pseudo-epopeia cinematografica e parva, as aventuras e desventuras da dupla de atores enquanto passeiam pelo país numa autocaravana. E ao mesmo tempo, assistimos a história dos bastidores onde os autores criam o percurso que as suas personagens vão fazer. E ainda há espaço para parodiar filmes, fazer cenas de bastidores das filmagens da suposta ficção (que ultrapassam a noção normal da narrativa e dos limites da ficção e do cruzamento desta com a realidade). Tudo isto torna esta série algo de novo na nossa televisão, uma lufada de ar fresco que, apesar de não estar a ser muito consensual em termos de receptividade (embora alguns críticos já se tenham apercebido das potencialidades do prog…

O Humorista: proposta televisiva inovadora e vencedora

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«O Humorista» é uma das apostas mais relevantes do panorama televisivo da atualidade. Numa quase-homenagem a um género cómico que a série «The Office» ajudou a criar (sendo o personagem João Cunha muito baseado no David Brent do programa de Ricky Gervais e Stephen Merchant), esta série segue o percurso "artístico" de um comediante detestável, execrável, convencido, e praticamente sem jeito nenhum para a comédia, apesar de se achar um génio e que todos os aspirantes a comediantes devem ir a um espetáculo seu se quiserem perceber a genialidade da sua arte.
Numa mistura de realidade e ficção que ultrapassa a comédia de embaraço de «The Office» (que se trata puramente de encenação. Da boa, mas é encenação), «O Humorista» é relatado em género de documentário, em seis episódios de vinte e cinco minutos cada (todos eles estão disponíveis integralmente no youtube, além de serem alvo de valentes reposições da SIC Radical), que nos mostra as reações de João Cunha, "o" Hum…

Pequeno rascunho sobre os Oscares...

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Não costumo ver a cerimónia dos prémios da Academia na sua versão integral. Sinceramente, é uma maçada. Longa demais em certas partes, curta demais noutras, no fundo trata-se apenas de enaltecer os meninos bonitos de Hollywood e que as revistas cor de rosa e o resto dos media gostam de perder o seu tempo, utilizando muito do seu espaço útil para falar do glamour da festa e de certos convidados em particular. Contudo, este ano foi diferente. Seth Macfarlane, o controverso criador das séries «Family Guy», «American Dad» e «Cleveland Show», e mais para breve um remake do clássico televisivo «The Flintstones», e da comédia largamente aclamada «Ted», estreada nos cinemas no Verão do ano passado, foi o apresentador que conduziu a cerimónia número oitenta e cinco dos Oscares. Eu sempre gostei dele, e da sua habilidade para interpretar tantas personagens e tantas vozes distintas em todos os seus programas. Aprecio também o seu humor controverso, estúpido e hilariante, inundado de situações q…

O Cinema vai acabar? Só se o Homem quiser.

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Cada vez mais leio, vejo, e ouço coisas sobre o possível fim do Cinema, num futuro próximo. Quando, ninguém sabe. Em relação ao como, a resposta é um pouco mais óbvia, e o porquê posso sem dúvida afirmar que se refere a duas coisas: internet e bilhetes caríssimos para as sessões de Cinema.
Muitas respostas e muitas suposições têm sido feitas sobre o futuro da Sétima Arte. Há quem diga, por exemplo, que daqui a alguns anos os filmes estrearão diretamente nos nossos televisores, podendo os espectadores a eles aceder através do aluguer na box doméstica. Ou seja, vai ser como ver um qualquer telefilme - porque ultimamente cada vez mais são as fitas que se assemelham ao que se faz na caixinha mágica - só que vamos pagar para o ver. E provavelmente o preço não será de todo justo para a qualidade do produto em questão.
Mas muitos se esquecem que, há cerca de cinquenta anos, o Cinema esteve mesmo para acabar, pelo menos nos EUA, pelo maior alcance que a televisão estava a ter junto das audiê…

O Bom, o Mau e o Vilão: western em estado épico

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Existem dois tipos de pessoas no mundo, meu amigo. Aquelas com a corda à volta do pescoço, e aquelas que têm a função de a cortar.


E eis que cheguei ao terceiro capítulo da Saga dos Dólares, o supra-citado, mencionado e aclamado épico «O Bom, o Mau e o Vilão». Sem sombra de dúvida trata-se do filme mais fantástico de toda a trilogia e o que mais rios de tinta fez correr a seu respeito ao longo das décadas. Sergio Leone não filma apenas um vulgar, mas bom western, como se sucedeu em «Por um Punhado de Dólares», nem realizou outro filme entre o estado épico e o género cinematográfico de coboiada, como em «Por Mais Alguns Dólares». Em «O Bom, o Mau e o Vilão», o espectador depara-se com um filme que é muito mais complexo e profundo do que os dois anteriores volumes da saga, e que se eleva a um estado de quase-transcendentalidade que é muito raro um filme conquistar. Do muito pouco de Cinema que por agora eu já conheço, penso que «O Bom, o Mau e o Vilão» foi o único filme em muito tempo q…

Por Mais Alguns Dólares: mais alguma coboiada

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Um ano depois da estreia do primeiro volume das aventuras do "Homem sem Nome", o realizador Sergio Leone e o protagonista Clint Eastwood regressaram para dar continuidade a uma das trilogias mais conceituadas da Sétima Arte, com «Por Mais Alguns Dólares», um filme mais longo, mais profundo e melhor do que o seu antecessor, e que vinca ainda mais algumas das marcas de estilo que caracterizariam, para os estudiosos e para os espectadores, a cinematografia única de Leone, que marcou todo o conceito de "spaghetti western" e que ao cineasta deve muito a sua qualidade. Pegando na mesma personagem e nos seus costumes incontornáveis (como por exemplo, o facto de estar sempre com o charuto na boca) protagonizado por um Clint Eastwood em completo estado mítico, e praticamente na maioria das pessoas que fizeram parte da equipa técnica do primeiro filme da trilogia, «Por Mais Alguns Dólares» eleva-se pela quantidade/qualidade de cenas lendárias e de profunda mestria que marca…

O Pai Tirano da Coreia do Norte

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Como não tenho visto novos filmes nos últimos dias não tenho tido razões para fazer uma daquelas bizarrices que dão pelo nome de críticas cinematográficas. Contudo, com as novidades que todos nós pudemos saber esta semana da terra do Kim (e de outras coisas também, mas para mim falar de ditaduras tem mais graça - no mau sentido, obviamente), não pude deixar de fazer bastantes associações entre grandes obras que inspiram o culto da cinefilia e a situação do país (e de todo o medo que pretende espalhar pelo mundo). Veja-se a "inspiração" que eu tive para o título deste post (que nada tem a ver com o tema em si, mas que se lhe encaixa que nem uma luva). Kim Jong-un é o "querido líder" (que é ainda mais querido e fofinho com toda a sua população) da população norte-coreana, e ultimamente tem andado pelas bocas dos media, devido a duas coisas que têm um ponto em comum: bombas. Uma envolveu um hipotético sonho alegre e feliz do Paizinho coreano em que "arrebentava&…

Livros usados: o dilema

Num livro português dos anos 60 que encontrei aparece um aviso no início a alertar as pessoas para verificarem se não compraram um livro já usado. Termina com a frase "Defenda a sua saúde não manuseando livros usados". Ocorreram-me duas coisas: trouxe este livro da biblioteca (logo... a minha saúde está em risco?), e há cinquenta anos havia tanta mania dos germes como há hoje em dia. Nada mudou. Era tudo germofóbico já nos anos 60.

14 de fevereiro...

... o único dia do ano em que os adolescentes solteiros se convencem seriamente que estão melhor sozinhos.

Psycho regressa

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«Psycho», de Alfred Hitchcock, regressou aos cinemas. Esta é uma ótima oportunidade para ver (ou rever) no grande ecrã um grande clássico da Arte que é a Sétima. E mais: é bom poder ver que este se trata de um realizador cujos filmes continuam a provocar mais tensão e medo, depois de terem sido feitos há tanto tempo, do que todos os capítulos da saga «Saw», uma das obras conhecidas recentes de terror. Mas terror a sério há apenas em Hitchcock.

Ultraleve: a música tuga não é Chata

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Esta música trata-se de uma grande descoberta que eu fiz na noite de ontem. Um delírio pop tuga com uma letra carregada de verdade e humanismo (ou seja, eu já chamei "chata" a muita gente), e tem co-autoria do Nuno Figueiredo, um dos Virgem Suta, agora envolvido neste «Ultraleve» com o Bruno Vasconcelos dos Pinto Ferreira. Vale a pena ouvir, parece-me que temos aqui um novo projeto de música portuguesa bem interessante! :)

O Despertar da Mente (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)

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How happy is the blameless vestal's lot!  The world forgetting, by the world forgot.  Eternal sunshine of the spotless mind!  Each pray'r accepted, and each wish resign'd.
É do poema «Eloisa to Abelard» do autor Alexander Pope (do qual estão transcritos quatro versos neste post) que surgiu o título original para «O Despertar da Mente», este romance genial escrito pelo imparável Charlie Kaufman (que se trata, provavelmente, de um dos argumentistas mais originais que Hollywood deu ao Mundo nos últimos anos, responsável também por outros filmes tão inovadores como «Inadaptado» e «Sinédoque, Nova Iorque», filme este que também realizou), realizado pelo francês Michel Gondry (e que teve com este filme o seu trabalho mais notável e reconhecido) e protagonizado pelos dois surpreendentes Jim Carrey e Kate Winslet comprovou que o Cinema contemporâneo ainda tem muito de bom e de novo para proporcionar aos espectadores, utilizando novas fórmulas e novas perspetivas cinematográficas, não…

O Caçador (The Deer Hunter)

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Um ano antes de Francis Ford Coppola ter dado ao Mundo a sua visão inigualável, inesquecível e algo surreal do Vietname que dá pelo nome de «Apocalypse Now», o realizador Michael Cimino, na altura ainda relativamente desconhecido do grande público cinéfilo ao nível global, lançou o épico «O Caçador». Cimino era um "outsider" de Hollywood, cuja excentricidade conquistou em 1978 o mérito e aclamação do público e da crítica, e de entre toda a curta filmografia que realizou, este continua a ser o seu filme mais famoso e marcante. Hoje em dia, Cimino está "escondido" do mundo cinematográfico (há algum tempo deu sinais de vida, aparecendo no twitter e mostrando a sua admiração por Paul Thomas Anderson e pelo seu mais recente filme «The Master - O Mentor»), em parte pelo o prejuízo e fraco reconhecimento que os seus filmes posteriores tiveram nos EUA (nomeadamente o anti-western «Heaven's Gate - As Portas do Céu»). Mas felizmente, o cineasta deixou para a posteridade…

Barry Lyndon: a conquista da alta sociedade

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Singular, belo, subtil e irónico. Nestes quatro adjetivos penso que consigo resumir tudo o que «Barry Lyndon», que se trata "apenas" de mais uma obra prima do genial Stanley Kubrick (cineasta que dispensa qualquer tipo de apresentações). Mas como o filme foi, para mim, bom demais para se dizer tão pouco sobre ele, vou tentar desenvolver a minha opinião (se bem que os resultados não serão os mais desejados). Repleto de exuberantes e deslumbrantes paisagens, inspiradas em quadros de pintores da época e que são muito bem aproveitadas pela lindíssima fotografia do filme, e com um elenco de excelentes atores (destacando Ryan O'Neill, o protagonista desta saga sobre a busca da ascensão social), «Barry Lyndon» é um filme que, tal como todas as obras pertencentes ao universo kubrickiano, mostra a versatilidade e criatividade de um cineasta que queria sempre ultrapassar as fronteiras. Cada um dos seus filmes enquadra-se num género cinematográfico distinto e numa história complet…

O Quinteto Era de Cordas (The Ladykillers)

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«O Quinteto Era de Cordas» é uma das comédias britânicas mais famosas de sempre e um marco indiscutível do humor cinematográfico tanto para as Terras de Sua Majestade como para os próprios EUA (o argumento do filme foi nomeado para um Oscar e há poucos anos atrás os irmãos Coen fizeram um remake deste clássico adaptado ao estilo americano e mais moderno de se fazer Cinema). Respeitando a receita e os ingredientes fundamentais (um enredo divertido, personagens acutilantes e um baixo orçamento) para a execução de uma comédia que, para além de ser muito boa, é diferente das demais, «O Quinteto Era de Cordas» revela-se uma boa surpresa mesmo em 2013, passados quase sessenta anos da sua estreia original, e apesar de já haver a versão mais recente disponível para ser visionada. Contudo, se compararmos o remake dos Coen com este original (tinha visto a versão dos irmãos há uns dois ou três anos, e até gostei), consigo perceber onde é que a dupla de cineastas falhou em relação ao filme que a…

Parabéns, "Little Tramp"!

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Precisamente no dia de hoje, há 99 anos, Charlie Chaplin deu a conhecer ao Mundo uma das personagens mais marcantes e influentes de toda a História do Cinema, e que a ele ficará eternamente associada. Talvez o maior símbolo (e o único que verdadeiramente resistiu ao tempo) do poder do silêncio na arte cinematográfica e da importância da simplicidade na vida de cada ser humano, Charlot "É" cada um de nós, ele representa toda a humanidade da nossa espécie e todas as nossas capacidades e perspetivas de vida. E continua tão atual hoje como o era em 1914.

Cinema e Justiça

Num tempo em que estamos sempre a questionar a nossa classe política e as convicções dos indivíduos que estão "lá em cima", aconselho que vejam este eterno clássico do Cinema, «Peço a Palavra». Realizado por Frank Capra e protagonizado por James Stewart, este filme é uma crítica super atual ao poder das influências e da corrupção sobre a verdade dos factos e sobre os "pequeninos" que pretendem mudar o Mundo face aos grupos meio mafiosos que rodeiam cada um de nós. Um filme essencial, que neste link poderão ver completo e em boa qualidade.

Lincoln - o jogo político na visão de Spielberg

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E na primeira vez no ano que entrei num cinema para, efetivamente, ver um filme (que é para isso que um estabelecimento destes serve primordialmente - para além dos serviços de restauração, farra, sanitários e tudo o que não tenha a ver com a Sétima Arte), dei de caras com «Lincoln», uma epopeia magnífica realizada por Steven Spielberg (sem qualquer tipo de comentários a fazer sobre este Grande Senhor da Arte das Imagens em Movimento) e protagonizada por Daniel Day-Lewis naquela que foi, para mim, uma das maiores e melhores performances que pude vislumbrar em muito tempo. Quis ver este filme não só pela admiração que tenho por Abraham Lincoln, que é provavelmente um dos Presidentes americanos mais populares da História do País (senão "o" mais popular), mas também para saber se poderia comprovar, tal como o fez meio mundo de críticos e votantes do IMDb, que a investida de Spielberg em filmar os últimos quatro meses de vida de Lincoln resultou. E sim, na minha opinião, «Linco…