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A mostrar mensagens de Março, 2013

Hipsters. Sinceramente, não dá para fazer um título de jeito sobre isto.

CUIDADO! Aqui não se falam de coisas verdadeiras nem minimamente interessantes. O texto que estão prestes a ler não passa de uma palhaçada total, que mostra a falta de noção da realidade e do que é verdadeiramente apelativo ao público pelo escriba deste blog. Mas pronto, ficaram avisados. Agora é por vossa própria conta e risco!
Hei criançada! Tudo bem? Para todos os meus caríssimos leitores que se têm perguntado: "Onde anda aquele Rui, o crítico implacável de certos temas obscuros e bizarros da atualidade, e que gosta sempre de embarcar no meio da palhaçada quando devia estar a falar de coisas sérias?". Pois bem, para o júbilo desses meus pequeninos amigos (ai que isto soou tão mal) que já sentiam saudades dos meus devaneios palhaçais e da minha falta de civismo e de (algum) respeito em relação a certas coisas que, nomeadamente, me chamam a atenção (e que, na maior parte das vezes, não possuem grande interesse) está de volta! Pelo menos, neste post. É que a secura de temas …

A Doce Vida (La Dolce Vita)

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Marcello, o protagonista de «La Dolce Vita», uma obra imortal da História do Cinema e um dos expoentes máximos do seu realizador, Federico Fellini, é um indivíduo que leva uma vida desprezível, ao pé de gente igualmente desprezível. Esta é a ideia inicial com que se fica do homem (interpretado por Marcello Mastroianni, que viria a colaborar com Fellini em mais quatro filmes - este foi o primeiro) que é o alvo deste épico italiano de quase três horas, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e que, hoje em dia, é um filme amado e estudado nos quatro cantos do mundo. E essa impressão inicial mantém-se precisamente até ao final do filme, só que vamos acrescentando mais coisas, mais detalhes psicológicos ao que percecionámos desta personagem. Marcello é um jornalista italiano da imprensa cor-de-rosa que leva uma vida boémia e descontraída, saltitando de mulher em mulher e de lugar em lugar (desde um cabaré nas imediações de Roma, onde se encontram muitas figuras do jet-…

A parvoíce de Robot Chicken

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Eu tenho um sentido de humor um pouco estranho, admito. Tanto posso estar a rir-me com uma das várias peripécias de «Sim, Senhor Ministro», como a seguir pego num episódio de «Robot Chicken», a série do Adult Swim que popularizou o humorista Seth Green (que também dá uma perninha no «Family Guy» - e o Seth Macfarlane vice-versa), e quase choro de tanto "gargalhar". Gosto muito de comédia e esta série, constituída por pequenos sketches sem ligação entre si e que parodiam filmes, programas de televisão e certas individualidades americanas, com um estilo humorístico muito parvo, patético e estúpido, tem feito as minhas delícias nos últimos dias. Estou cada vez mais convencido que o que me faz rir de uma maneira inexplicavelmente gigantesca são desenhos animados. Porque neles podem ser postas em prática todas as impossibilidades do ser humano em fazer humor, e daí séries como «Robot Chicken», «Os Simpsons» e «Family Guy» terem tanto sucesso e aclamação - e serem os programas qu…

O Inimigo Público: o pontapé de saída de James Cagney

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«O Inimigo Público», elaborado antes do "Production Code" que, anos depois, viria a regular os "comportamentos" das obras cinematográficas, foi uma obra relevante pelo impulsionamento que teve para os filmes de gangsters nos EUA, pela sua importância histórica e cultural que marcou a sociedade americana, e porque foi o filme que lançou aquele que é um dos atores mais míticos da indústria de Hollywood: James Cagney. Se a produção não tivesse mudado de ideias e tivesse deixado com que Cagney continuasse a ter um papel secundário, como era suposto, muita coisa não teria sido alterada na História do Cinema. E «O Inimigo Público», hoje em dia, perderia todo o seu interesse. Na noite de quarta feira vi o filme e percebi que apenas o estava a ver por ser protagonizado pelo James Cagney, que não só é uma figura lendária como tem uma interpretação fabulosa nesta obra. A maioria dos restantes elementos que compõem a fita já estão algo ultrapassados ou não têm substância tan…

Rui Responde n.º 18

Aqui está, como prometida, mais uma edição do agora permanente (isto é, enquanto tiver perguntas) do Rui Responde. E hoje acabo, momentaneamente (porque depois ela mandou mais uma, mas vou seguir a ordem de chegada das questões), com as perguntas da Rita Gonçalves e começo a responder à "fornalha" enviada pelo André Pereira. E se por acaso tiverem alguma questão que gostassem que este besta opinasse sobre, basta enviarem-na para a caixa de comentários deste post ou para o mail ruialvesdesousa@hotmail.com. 
52.ª pergunta Diz-me uma coisa sem a qual não consigas viver - não vale escolher o oxigénio.  Rita Gonçalves
Bom Rita, a resposta é simples: comida e bebida. E a literatura, e o cinema, e a cultura em geral. E o blog, também. É impossível nomear uma coisa só. Mas entre as que, literalmente, não conseguia viver, apostava nas duas primeiras. Tenho uma ideia que, nesse aspeto de sobrevivência, são mais importantes que as outras. Mas num aspeto mais filosófico, é tudo o que vem…

Mentira (Shadow of a Doubt)

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«Mentira» era um dos filmes preferidos da filmografia do cineasta que o realizou, Alfred Hitchcock, como também da sua mulher e frequente colaboradora dos seus filmes em vários parâmetros, Alma. O Mestre gostava do conceito de "assassino que entra num ambiente calmo, pacífico e sem razões para ocorrer qualquer tipo de crime". E essa é, efectivamente, uma das premissas deste filme, uma das primeiras obras do realizador a ser elaborada em solo americano e um dos seus primeiros grandes sucessos nos EUA, e que se mantém importante hoje e por muitas mais gerações, por ter sido incluído também na área de preservação de filmes do National Film Registry. E «Shadow of a Doubt», título original - e bem mais sugestivo - desta fita do Mestre do Suspense, contém todos os ingredientes que caracterizam, para mim, o melhor que este Génio do Cinema soube proporcionar à arte cinematográfica e aos espectadores fanáticos por extraordinários e envolventes filmes: personagens que não são o que p…

Miguel Torga e "O Senhor Ventura"

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Acabei há cerca de alguns minutos de ler «O Senhor Ventura», uma pequena novela da autoria do escritor português Miguel Torga. Sobre a obra escrevo aqui algumas linhas de apreciação, porque gostei do livro e da escrita do autor que, para o infortúnio da minha intelectualidade tão diminuta, pouco conheço verdadeiramente da sua obra. Mas penso que, em breve, poderei corrigir essa falha grave, porque Torga é um dos grandes escritores de referência da contemporaneidade. E não é para menos, visto que tem no currículo obras como o incontornável «Bichos» ou os «Contos da Montanha». E em «O Senhor Ventura» é-nos contada as origens e a vida desse dito senhor, que se passeia por meio Mundo, conhece gentes de variados lugares, mas que acaba por nunca esquecer o seu Alentejo de origem, mais propriamente a aldeia de Penedono. É uma pequena ficção sobre a vida e as tristezas e ironias da mesma, e que, a meu ver, daria para se fazer um excelentíssimo filme sobre ela. A escrita de Torga é muito viva…

Matar ou Não Matar (In a Lonely Place)

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Nicholas Ray é um dos mais inspirados autores do cinema clássico norte-americano. Antes de «Rebel Without a Cause», o filme que possui a mais popular personagem da curta carreira de James Dean, e do mítico western «Johnny Guitar», Ray realizou «Matar ou Não Matar», uma história misteriosa e impressionante ainda hoje e que se tornou um dos filmes mais conhecidos da corrente "film-noir" nos EUA. Com o protagonismo de Humphrey Bogart, aqui num dos seus papéis mais surpreendentes e memoráveis, «Matar ou Não Matar» começa por ser uma crítica aos exageros e à falta de qualidade da maioria dos filmes de Hollywood, que pretendem apenas apelar à grandiosidade da arte cinematográfica e não à inteligência e à aprendizagem que as imagens projetadas no grande ecrã podem trazer aos espectadores. Contudo, a história de Dixon Steele (interpretado por Bogart), um argumentista arruinado no tempo presente da fita e que não pretende escrever para projetos que ache desadequados ou que não se id…

Obrigado por Fumar: o poder da argumentação nas coisas mais inacreditáveis

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«Obrigado por Fumar» é uma surpreendente comédia, mordaz e provocadora, que não aponta o caminho certo a percorrer, mas sim uma crítica complexa aos dois lados de uma situação: o tabaco e a sua permissão e/ou proibição junto dos atuais consumidores e dos futuros "adeptos" do vício. Sendo a primeira longa-metragem do realizador Jason Reitman, um cineasta que tem dado que falar em Hollywood com o seu estilo irreverente e apelativo, muito bem realçado na sua ainda curta filmografia, onde se incluem filmes aclamados e nomeados para um sem-número de prémios, como este e também «Juno», «Nas Nuvens» e o mais recente «Jovem Adulta», o filme possui um tom corrosivo e severamente crítico (ou talvez não - depende da perspetiva de cada um) à indústria tabaqueira, aos lobbies, ao marketing e à forma como a argumentação é utilizada para persuadir os consumidores a comprarem produtos ou a aderirem a certas e determinadas causas e ideias. «Obrigado por Fumar» segue uma linha narrativa line…

Estórias

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«Estórias», um documentário sobre o mítico Senhor do Adeus, estreia dia 1 de Abril no Cinema São Jorge. Os bilhetes são dois euros e podem encontrar mais informações deste projeto bem interessante na página oficial de Facebook do mesmo, aqui.
Eis o trailer:

Filosofias

A expressão que hoje está na moda é "fechar um capítulo". Isto é maioritariamente dito por pessoas envolvidas em processos judiciais. Fecham capítulos, mas nunca mais acabam a &#+$* do livro.

Amour: quando o impacto da realidade é maior do que qualquer ficção

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"Só o amor é mais forte do que a morte". Esta frase não foi utilizada para promover o filme «Amour», a mais recente obra cinematográfica do realizador incontornável Michael Haneke, uma fita que ganhou Oscares, Césares, Globos, BAFTAS, entre tantos outros prémios e aclamações por esse mundo fora. Essa frase foi o slogan de «Caos Calmo», uma tragicomédia italiana protagonizada por Nanni Moretti. Contudo. várias vezes veio esta frase à minha memória enquanto via «Amour», e fiquei com ela associada ao filme mesmo quando visionei o final desta história triste e bonita sobre o envelhecimento e o amor que duas pessoas nutrem uma pela outra. «Amour» é um filme lento, mas é ao mesmo tempo rápido demais, como a existência humana propriamente dita, que retrata a vida de um casal de octogenários durante uma fase conturbada das suas vidas, quando a esposa começa a sofrer alguns problemas de demência. O marido decide cumprir o seu papel até às últimas consequências, nunca querendo abando…

O Padrinho - Parte III

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Just when I thought I was out, they pull me back in.
Há cerca de um mês, revi o primeiro épico filme da trilogia «O Padrinho». Na noite de sexta-feira deitei mãos à obra e chegou a vez de revisitar a fabulosa primeira sequela, «O Padrinho - Parte II». Gosto tanto destas duas obras-primas e acho-as tão espetaculares que quando vejo a primeira, a segunda tem de se ser revista pouco tempo depois. Quando vejo um, vejo outro. Já fiz isto umas quatro ou cinco vezes desde que vi a trilogia toda pela primeira vez em 2011, o ano em que, definitivamente, a minha visão do Cinema mudou, porque foi em 2011 que vi uma série de filmes fantásticos que, ainda hoje, fazem parte dos meus filmes "primordiais" entre todas as fitas de que gosto muito e que me marcaram de uma maneira muito profunda. Não consigo distinguir a primeira e a segunda parte de «O Padrinho». Têm um impacto tão forte em mim de cada vez que as revejo (e que se mantêm tão ou mais impressionante a cada revisionamento) que não…

Cannes 2013

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Eis o cartaz da edição deste ano do Festival de Cannes, que terá início no dia 15 de Maio (o dia de anos deste servo da arte da escrevinhação que sou eu) e terminará no dia 26. É um dos grandes acontecimentos cinematográficos do ano, que eu acompanho com grande interesse. Vamos a ver se este ano se sucedem algumas surpresas...

Ou Tudo ou Nada (The Full Monty)

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NOTA: Esta crítica é pequena porque, além de andar a acumular filmes para criticar aqui no blog, penso que neste caso consegui dizer o essencial nestas poucas linhas que escrevi.
«The Full Monty» é uma comédia que não dá muito azo para se escrever ou analisar muito sobre si mesma, porque não é esse o seu objetivo. É um triunfo do humor britânico sobre os blockbusters americanos, se bem que com algumas cedências. Cinema comercial vindo da Europa e que se tornou um fenómeno noutras partes do globo. E, meus amigos, em parte, não acredito que vi isto. Tornou-se, em certa medida, um guilty pleasure, pela temática que aborda e a forma como a retrata. Mas não há que evitar, é um filme engraçado! Parte da premissa vulgar de muitas comédias ditas comerciais: uma personagem principal que está na mó de baixo, cheia de problemas por resolver, e que é um zé-ninguém - e já se está mesmo a ver em que é que isto vai dar: ele tem uma ideia luminosa, tenta concretizá-la, e depois de muito trabalho, lá …

À Beira do Abismo (The Big Sleep)

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Quando uma das grandes obras da literatura americana contemporânea é alvo de uma adaptação que inclui, na sua ficha técnica, dois dos atores mais consagrados do seu tempo e que compunham uma das químicas mais fascinantes da Sétima Arte (Humphrey Bogart e Lauren Bacall), um mítico realizador responsável por filmes que mudaram a mentalidades dos espectadores e dos cineastas americanos (Howard Hawks) e, no trio de argumentistas, um escritor que viria a receber o Prémio Nobel da Literatura e que deixaria para a posteridade uma série de trabalhos literários marcantes e excecionais (William Faulkner), logo pensei que toda esta receita tinha de dar resultado. E deu. «À Beira do Abismo», baseado no livro homónimo de Raymond Chandler, é uma das mais conhecidas aventuras do detetive Philip Marlowe, criado pelo autor, e esta será, provavelmente, uma das mais conceituadas adaptações cinematográficas da sua obra (se não a mais conceituada de todas). Num filme onde a relação entre Bogart e Bacall …

"Um Lance no Escuro" - um programa de rádio

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Um magazine sobre Cinema e tudo o que o envolve. Um olhar aberto às novidades do panorama cinematográfico, bem como um destaque para a estreia mais interessante da semana. Trinta minutos semanais, onde está também incluída a entrevista a um convidado, que versará sobre tudo e mais alguma coisa... e com algum Cinema pelo meio.
Esta é a premissa de «Um Lance no Escuro», um programa de rádio que vou começar a fazer no próximo mês de Abril, às quartas feiras ao final da tarde na RSC (Rádio da Escola Secundária de Camões). Podem consultar a página do facebook do mesmo aqui, e dar o vosso feedback!

Efeméride

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Segundo o Google, hoje comemora-se o 167.º aniversário do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro, um dos grandes caricaturistas nacionais. E agora digam-me se esta Porca não tem atualidade...

O Rui Responde n.º 17 - O regresso (definitivo)

E para comemorar o 1400.º post o blog (que é, precisamente, este), decidi apostar no regresso DEFINITIVO do Rui Responde. Tinha recebido muitas perguntas e arrastei, arrastei e arrastei isto e acabei por não regressar com a rubrica, como tinha dito, há cerca de meio ano. Mas agora sim, volta mesmo. Todas as quintas feiras virão respostas a mais três perguntas. E já sabem, se por acaso tiverem alguma duvidazinha que gostassem que este mamífero respondesse, basta enviarem-na para a caixa de comentários deste post ou para o meu mail ruialvesdesousa@hotmail.com
E agora, as respostas a mais três perguntas da Rita Gonçalves:
49. ª pergunta Escreve a primeira palavra que te ocorre neste momento. Tenta explicar de alguma forma porque razão a escreveste - tudo tem o seu significado. 
OK, esta resposta não deixa de ficar condicionada, porque mandaste esta pergunta há alguns meses, e por isso não vou responder de uma forma tão "automática". Mas a primeira palavra que me ocorreu quando …

À Vossa Vontade: Shakespeare volta ao D. Maria II

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«À Vossa Vontade» é uma peça cómica de William Shakespeare que há pouco mais de dois séculos não era representada em Portugal. Felizmente, e em boa hora, o Teatro Nacional D. Maria II decidiu resgatar a obra de Shakespeare e a transpô-la para o palco, numa encenação hilariante e surpreendente, que este ser que vos escreve pôde assistir ao Ensaio Geral na noite de ontem. E é interessante como um texto com mais de quatrocentos anos consegue ser usado com tanta graça e tanta alegria para nós, pessoas do século XXI. O enredo e as personagens de Shakespeare permanecem atuais, quer nas críticas que fazem às relações humanas e ao amor, quer pelas situações em que se envolvem e se conhecem umas às outras. Uma trama inteligente e divertida que, apesar de sabermos como vai acabar (é inevitável), não é isso que interessa ao desenrolar da peça, que vale por cada momento e por cada diálogo, muito bem pensado, construído e adaptado para português de uma maneira impecável e que em nada descura o or…

A Vida nas Cartas: a Deprimência

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Não costumo ver televisão, propriamente dita (ou seja, aquilo que envolve ligar o aparelho e ver um qualquer programa que está a dar num qualquer canal às horas de exibição), de manhã. Contudo, hoje penso que fiz uma grande descoberta televisiva, enquanto deambulei pelo mágico mundo do zapping: encontrei a emissão de há pouco desse programa tão popular e querido dos portugueses (mais propriamente, das pessoas que acham que é a dar atenção a uma astróloga manhosa que a sua vida vai mudar) que se chama «A Vida nas Cartas: O Dilema». Sim, eu sei o que me vão dizer os puristas da televisão, que este não é o programa original, que era o da Maya só que ela saiu e então entrou esta fulana que faz os signos do Destak. Mas meus amigos e minhas amigas, sendo este programa uma sequela de outro, só posso dizer que, como sequela, se revela ser um dos melhores programas de comédia que vi na televisão portuguesa.
E porquê? Diria que «A Vida nas Cartas: O Dilema» será uma espécie de «The Office» em …