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A mostrar mensagens de Março, 2014

O Homem Que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much) [1956]

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Dois anos depois do sucesso comercial que foi «A Janela Indiscreta», Alfred Hitchcock volta a pegar em James Stewart para trabalhar de novo uma história antiga, de um dos primeiros filmes que tornaram o cineasta célebre em todo o mundo. Na famosa entrevista que Hitchcock concedeu a François Truffaut, ouvimos o Mestre dizer que, enquanto a versão original de «O Homem Que Sabia Demais», datada de 1934, foi feita por um amador talentoso, o seu remake (e o único objeto do próprio realizador que ele quis refazer cinematograficamente) já tem a assinatura de um profissional da área. E não é para menos: algumas cenas são semelhantes entre as duas obras (a grandiosa cena de maior clímax, passada no Royal Albert Hall, ficou para a História), mas enquanto a versão original, que conta com Peter Lorre num dos seus primeiros papéis ingleses, mostra um autor em crescimento, e com curiosidade de experimentar fórmulas e mecanismos diferentes, na versão de 1956 encontramos um Hitchcock no auge da fama…

Não Matarás (Krótki Film o Zabijaniu/A Short Film About Killing) [1988]

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No dia a dia banal e vulgar de uma cidade polaca, é-nos apresentado um conjunto de vinhetas que têm o ato ou o impulso de matar como denominador comum. É verdade que Krzysztof Kieślowski, o realizador deste «Não Matarás», se irá centrar nas relações dramáticas e trágicas que irão unir três personagens (o taxista, o jovem assassino e o advogado inexperiente e pouco seguro de si). Mas o realizador vai mais longe: com esta versão expandida do quinto episódio da mítica série televisiva «Decalogue», de sua autoria,  na qual perseguimos uma panóplia de personagens que sonham, refletem ou desejam destruir algo, ou alguém - e a maior parte desses desejos refletem-se em pequenos gestos e intenções subliminares, mostrando que a morte não se limita apenas à forma física de a concretizar, diversificando-se nos outros (e arrepiantes) sentidos do termo. E quem será mesmo o mau da fita nesta história tão bem contada e pensada: algum dos pequenos membros da comunidade cujo quotidiano acompanhamos a …

IndieLisboa regressa com muitas novidades do Cinema Nacional e Internacional

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Eis um cheirinho do que a edição de 2014 do IndieLisboa vai trazer ao panorama cinematográfico da capital! Podem consultar todas as novidades do Festival Internacional de Cinema Independente no Espalha Factos!

Arnold Schwarzenegger revela detalhes do próximo Exterminador Implacável

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O que podemos esperar do quinto Terminator? Arnold Schwarzenegger revela algumas pistas... Parece até ser interessante, mas por outro lado, se olharmos para os projetos em que o suposto realizador esteve envolvido... é esperar para ver. Leiam no Espalha Factos.

Mãe e Filho (Pozitia Copilului) [2013]

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Há apenas uma única coisa que danifica Mãe e Filho e as suas pequenas e tão características simplicidades: o trabalho de câmara. Irritantemente documental, inconsistente e descontrolada, a condução das imagens prejudica em parte o ambiente que a história pedia e que a abordagem tentou a todo o custo concretizar, criando uma certa monotonia que, ironicamente, fica associada aos movimentos excessivo da forma de filmar. 
Não é preciso ter medo dos planos fixos, pois estes não fazem mal a ninguém, e ainda há por este mundo muitas alminhas que não procuram filmes apressados e com montagens aceleradas, desejando encontrar, no encanto da sala escura, um espaço livre para contemplarem o ecrã e reflectirem o poder das fitas tal como elas devem ser apreciadas. Pode não ser um mal fulcral do filme, mas dá a sensação que, com uma câmara mais calma e “quieta”, tudo o resto poderia ter saído um pouco mais valorizado. 
Mãe e Filho é uma obra de causas nobres, que não se fica apenas por retratar as d…

“Hollywood, tens cá disto?”: Manhã Submersa (1980)

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É a primeira vez que faço um texto para esta rubrica do Espalha Factos, sobre as maravilhas não tão faladas do Cinema português. Decidi pegar no filme mais conceituado de Lauro António, adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira (que interpreta aqui uma das suas personagens): MANHÃ SUBMERSA. Uma obra a descobrir, urgentemente! Leiam aqui o pouco que eu tenho para dizer sobre este tesouro nacional.

A Loja dos Suicídios (Le Magasin des Suicides) [2012]

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Com as crises que desiludem muita gente (quer sejam emocionais, económicas, ou de outra índole qualquer), haverá mais hipóteses de aumentar a tendência para o suicídio. E esta loja poderá ajudar todos aqueles que procuram acabar com a sua própria vida segundo os seus desejos mais diversificados: desde venenos a harakiri, passando ainda por revólveres e os "clássicos" enforcamentos, há de tudo na casa muito visitada e prestigiada dos Tuvache, o estabelecimento mais requisitado no mercado suicidário. E sim, por tudo isto, «A Loja dos Suicídios» poderia parecer uma animação depressiva e repugnante para a maioria do público português, que ainda acha que todo o filme animado é dirigido só e exclusivamente à criançada... mas que se engane quem ainda quer pensar que a bonecada é apenas para miúdos. Patrice Leconte realiza, na sua primeira investida no Cinema de animação, uma comédia muito, mas muito negra, e não menos musical, que é relevante para as dificuldades que temos Hoje de…

E a data de estreia da nova temporada de Um Lance no Escuro é...

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Quarta feira, 2 de Abril, à noite.
Vamos estar numa nova emissora, a Rádio Autónoma, da Universidade Autónoma de Lisboa, e o programa terá algumas diferenças em relação à primeira temporada.
Será mais curto (30 minutos certos - com hipótese de ter episódios aumentados, se a cavaqueira  assim proporcionar, que serão depois carregados na íntegra para o podcast) e centrar-se-á mais na parte de entrevista. A rubrica das bandas sonoras desaparece, mas planeio fazer uma edição especial todinha dedicada à música no Cinema.
Para mais novidades, não hesitem em consultar a nossa página de facebook!

O Sonho de Wadjda [2012]

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O Sonho de Wadjda foi a primeira obra escrita e realizada por uma mulher saudita, e o primeiro título a ser rodado integralmente na Arábia Saudita. Por isso, Haifaa Al-Mansour não só assinou um feito notável em termos artísticos, como também a nível histórico e social. Não é todos os dias que algo do género chega a terras lusas: estamos perante o início de uma nova forma de se fazer Cinema, num país que, infelizmente, continua a defender rígidas e apertadíssimas leis fundamentalistas e discriminatórias.
O que faz a realizadora, com as circunstâncias e condicionamentos da Arábia Saudita e a história (simples, mas bonita) que tem em mãos, não poderia ser mais apropriado: com a coragem de ser a primeira mulher a realizar um filme naquele país, Haifaa Al-Mansour aproveita para dissecar todas as desigualdades entre sexos que se sentem diariamente naquela cultura, acompanhada por uma ligação demasiado dependente às ideias religiosas, presentes em todos os pormenores do quotidiano (sendo que…

Filmes em 60 segundos: O Exterminador Implacável (Terminator) [1984]

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Mais do que um simples filme de acção mainstream (onde estão incluídas grandes doses de pancadaria e efeitos especiais), «Terminator» é um exemplo do uso da mais pura criatividade, para um conceito que poderia apenas ser manipulado para encher mais um grande chouriço cinematográfico. É um bom blockbuster que não se fica pelo lado pipoca, onde se destaca a originalidade, pelo seu tão bem executado entretenimento (que felizmente, não se limita a passar imagens aleatórias numa playlist de rebaldaria para o espectador) e pelo estilo puramente 80’s, inimitável na modernidade pouco inventiva. Apresenta um dos vilões mais icónicos do grande ecrã, que valeu a Schwarzenegger o estatuto de lenda, e James Cameron injecta uma faceta social e narrativa muito bem construída e verdadeiramente apelativa. Permanece perturbador, surpreendente, envolvente e eficientemente enervante, aproveitando todas as componentes do género, elevando-se, por isso, a um patamar que poucos filmes de acção desejam alcan…

Fruitvale Station - A Última Paragem [2013]

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Recorrendo a técnicas vulgares do Cinema do nosso tempo (como a câmara desorientada e obcecadamente documental), eis uma película que se propõe a quebrar outras vulgaridades, ao nível da elaboração da narrativa e da montagem: Fruitvale Station começa com uma gravação amadora e anda para trás e para a frente na linha temporal da história dramática e cativante de Oscar, sem cair em sentimentalismos fáceis (como outros filmes extraídos de “histórias verídicas”). 
Vemos um retrato indie do lado urbano e suburbano da América, que sendo de curta duração, acaba por pecar em, mesmo assim, parecer demasiado longa. Mas é impossível que o espectador não se deixe levar pelos pequenos dramas familiares que poderá ver, mesmo que alguns deles tenham um lado demasiado propositado e convencional. O que interessa aqui é a mudança da personagem principal, e todas as coisas que decide fazer para tornar essa mudança viável, quer seja pelas pequenas mentiras que Oscar conta às outras personagens para just…

The Railway Man - Uma Longa Viagem [2013]

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The Railway Man não é mais do que um simpático exercício de lugares-comuns e ideias feitas, que aproveita, com todos os meios e todas as oportunidades, o facto de se enquadrar dentro do género cinematográfico popularíssimo que dá pelo nome de “based on a true story“. É o chamariz para uma fatia de espectadores que só considera este tipo de histórias as únicas que conseguem ter realismo e credibilidade (sim, porque o resto é pura fantasia), acreditando mesmo que nenhuma ficção pode ser mais real do que qualquer encenação da realidade.
O grande problema desta película não reside, contudo, no uso e abuso dessa trademark que tanto rodeia os filmes americanos (porque há uns casos em que esta é mais bem usada do que noutros). As grandes maleitas desta pequena desilusão estão mesmo nos adjetivos que lhe podem ser primeiramente associados: é uma fita desequilibrada, interminável e preguiçosa, que se apoia na fama das estrelas que a protagonizam para tentar elevar-se a um patamar que nunca con…

Morreu Hal Douglas, a inconfundível voz dos trailers

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Um dos mais famosos locutores dos trailers de Cinema morreu na passada sexta-feira em casa, situada na Virgínia, EUA, aos 89 anos. Uma voz inesquecível e que será sempre recordada. Mais informações no Espalha Factos.

Woody Allen: 10 filmes que são melhores que «Annie Hall»

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Sendo Woody Allen um dos meus realizadores preferidos, é-me injusto que a maioria das pessoas só se refira a ele pelo filme «Annie Hall». "Chateia-me" um bocadinho que se esqueça uma carreira de quase meia centena de filmes realizados (e mais uns quantos argumentos escritos e interpretados para outros filmes e programas de TV) por se lembrar apenas aquela obra que, para mim (e esta expressão é essencial para o resto do artigo), nem é uma das melhores do seu curriculum. Não digo que não gosto de «Annie Hall» - muito pelo contrário, sou grande apreciador. Mas pura e simplesmente, não acho que seja uma das peças-chave do realizador/argumentista/ator. Tem muitos apontamentos cómicos geniais, mas nos anos seguintes, Woody Allen conseguiu fazer fitas muito melhores, que superam a nível cinematográfico e narrativo a história meio experimental (mas carregada de muito neurotismo) que ele assina e protagoniza com Diane Keaton. Proponho aqui dez filmes de Allen que, se não conhecem, d…

O Futebol no Feminino recomendou... a Companhia das Amêndoas!

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A madrinha Mariana Cordeiro Ferreiro recomendou a minha Companhia das amêndoas no grande blog Futebol no Feminino, no qual escreve, mais as suas colegas, com grande regularidade. E olhem que este estaminé desportivo é muito, mas muito interessante! Espreitai tudo aqui!

Este escriba agora faz parte do CCOP

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Tenho agora a honra de anunciar que a minha pessoa foi um dos quatro escolhidos para integrar o Círculo de Críticos Online Portugueses. Não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que tornaram isto possível, e espero poder contribuir da melhor forma para o Círculo. Muito, mas Muito Obrigado!

12 Anos Escravo foi votado por dois membros que não viram o filme

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Não é a primeira vez que algo do género acontece nas votações dos prémios da Academia das Artes e Ciências de Hollywood, mas isso não impedirá que a polémica à volta da vitória de «12 Anos Escravo» continue a crescer. Mais informações numa nova notícia, escrita para o Espalha Factos.

Deus Sabe Quanto Amei (Some Came Running) [1958]

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- I'll have the best room in the house.  - Seven-fifty a day?  - I once promised myself that if I had to come back here I'd have the best room in the house.
O que é preciso para criar uma obra prima? Os ingredientes são incertos e difíceis de qualificar e/ou quantificar, mas a subjetividade é mesmo essencial. E porque se continuam a negar os clássicos ou, pelo menos, todas as películas "arcaicas" que não surgem nas coleções duvidosas do IMDb e afins? Pouco se ouve falar de «Some Came Running», o melodrama de Vincente Minnelli que junta poesia e romance com um formidável leque de atores inesquecíveis, e que em português, foi denominado com um dos títulos mais pirosos que uma fita estrangeira já recebeu na nossa língua. Pode ter algum significado? Sim, mas não deixa de ser desnecessário e inútil, dando uma imagem telenovelesca e desprezível a um filme que pouco tem de banal, ligeiro ou convencional. É uma história de amor, uma história da oposição entre dois irmãos, uma…

O melhor tributo a PSH

Recordar mais uma vez Philip Seymour Hoffman, um génio da representação, com o melhor e mais completo tributo de todos. São vinte e um minutos de antologia, com quase cinquenta dos trabalhos que o ator nos deixou. Para ver, relembrar e recordar.

Sylvain Chomet e o sofá dos Simpsons

O "couch gag" dos Simpsons na visão de Sylvain Chomet, o genial realizador das animações «O Mágico» e «Belleville Rendez-Vous».

Lições de Harmonia (Uroki Garmonii) [2013]

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Esteve em competição na 63ª edição do Festival de Berlim, saindo vencedor do Urso de Prata. E é raro vermos um filme do Cazaquistão chegar a Portugal, mas Lições de Harmonia não tem tanto interesse cinematográfico e narrativo como possuem os apelativos elementos sociais e políticos do seu conteúdo. 
É mais uma experiência de pretensiosismo, onde o autor esconde o vazio das suas ideias e a fraca solidez da estrutura com uma série de metáforas ou situações descontextualizadas (a repugnante cena inicial, por exemplo), que tentam distrair-nos do essencial. Felizmente, esta tentativa de desvio do espectador sai frustrada, porque para além disto, temos as interpretações vazias e desorientadas de uma boa parte do elenco, e um certo descontrolo de pequenos mecanismos essenciais para o desenrolar da trama. 
São situações desconcertantes numa cultura desconcertante, as que visionamos em Lições de Harmonia. A obsessão do protagonista é o desejo de uma sociedade em limpar as suas impurezas, em l…

Filmes em 60 segundos: Snatch - Porcos e Diamantes [2000]

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Como um teledisco pop, «Snatch – Porcos e Diamantes» (não parece, mas a tradução é adequadíssima) é uma realização de Guy Ritchie que junta elementos culturais e artísticos bizarros e histórias vulgares com um charme muito particular. Uma comédia repleta de non-sense, reviravoltas e vigarices, que tem como maior defeito perder-se no meio do humor e da história elaborada de forma intrincada e invulgar para se esquecer dos seus valores de Cinema, confundindo-se demasiado com o mundo da televisão e da linguagem que só caracteriza esse meio, e não qualquer outro. «Snatch» é um deleite para a gargalhada e funciona como entretenimento eficaz e imbatível, com momentos, frases e personagens inesquecíveis, que nos impedem de tirar a vista do ecrã. Há ainda performances surpreendentes de um elenco que, dificilmente, voltaremos a ver assim, aproveitando o delicioso “timing” que pediu a história grotescamente hilariante de Ritchie para conseguir funcionar assim tão bem.
★ ★ ★

Filmes em 60 segundos: Gravidade (Gravity) [2013]

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Epopeia espacial visualmente espantosa e ilusoriamente poética, «Gravidade» pode ser um dos filmes mais sobrevalorizados dos Oscares, mas não é por isso que deixa de ser um título merecedor de visionamento. Apesar da interpretação pouco convincente de Sandra Bullock e dos diversos caminhos raramente coerentes que a narrativa toma para consolidar a sua credibilidade, temos em mãos um feito cinematográfico inovador, belo e arrebatadoramente sedutor, que abrirá as portas da interpretação de símbolos e de certas cenas a muitos cinéfilos curiosos. Aliando inteligência e entretenimento, Alfonso Cuáron mostra ter sido justa a atribuição do Oscar de Melhor Realizador, graças a todo um conjunto de excepcionais técnicas cinematográficas que em muito ajudam a tornar um pouco mais interessante a artificialidade desta era digital. Por isso, «Gravidade» é melhor na forma do que no conteúdo, mas as enormes falhas não conseguem ser o essencial, perante tal espectáculo inigualável de som e imagem.
★ ★…

O Filme LEGO (The LEGO Movie) [2014]

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O Filme LEGO está a receber uma invulgar aclamação dentro do género que se enquadra, destacando-se de um sem número de apostas insípidas e repetitivas que preenchem o mercado do Cinema de animação. E merece-o, pois de todas as obras cinematográficas que utilizam a expressão “filme familiar” para levar Pais e petizes à sala , esta é das poucas que justamente se auto-nomeou como tal. 
Talvez desde Toy Story 3 que não se via um filme assim, um objeto satírico, inteligente e brilhante, que mexe a pequenada e a gente mais crescida de formas muito diferentes: enquanto as crianças ficam maravilhadas pela soberba animação e pelo lado “fixe” da narrativa, os adultos têm oportunidade de encontrar uma crítica à sociedade moderna que não se fica só por isso, possuindo várias camadas de subtileza que desafiam o mais moderno e complexo dos filmes de “imagem real”. 
O Filme LEGO representa um daqueles raros acontecimentos cinematográficos em que todo o público se consegue divertir e retirar alguma…

Warren Beatty está de volta ao Cinema

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Depois de uma longa ausência, o ator e realizador está finalmente de regresso ao trabalho! Mais informações no Espalha Factos!