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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

Os discos dos QUEEN: Flash Gordon [1980]

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No mesmo ano de «The Game», os QUEEN lançam um álbum insólito, oriundo de circunstâncias não menos desconcertantes: esta é a banda sonora homónima de «Flash Gordon», no que resultou, tanto pelas características bizarras e excêntricas do filme como pelo tom do material de origem (que pede música em tons épicos e espaciais que não se assemelhem ao que John Williams fez para a trilogia «Star Wars»), num conjunto de músicas que acompanham a história de Flash e a sua luta contra o temível imperador Ming (dono do bigode mais estiloso do universo e arredores) para salvar a Terra e todos os seus habitantes da diabólica destruição que o vilão pretende concretizar. De facto, é esta banda sonora um dos (poucos) destaques desta fita, um clássico de serões de fim-de-semana e da vida de muita petizada dos anos 80 e 90 (e ressurgiu no imaginário popular graças à homenagem de Seth MacFarlane na sua comédia «Ted»). Nela, encontramos elementos sonoros que caracterizariam toda uma década de QUEEN e ele…

Se... (If...) [1968]

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One man can change the world with a bullet in the right place.
Quem disse que é no ambiente escolar que se criam as raízes para a continuação da manutenção do sistema em que gerimos a nossa vida e o nosso quotidiano, tinha toda a razão. E um filme como «If...», obra fundamental do Cinema britânico (e representativa de uma década fulgurante que trouxe várias mudanças à sociedade inglesa e à cultura em geral), sustenta e comprova essas mesmas palavras, justificando-as com a hierarquia académica de um colégio tipicamente britânico (e que corresponde verdadeiramente a todos os conceitos de rigidez e tradição que costumamos associar a este tipo de comunidades, graças ao imaginário inglês que nos proporcionam diversos livros, filmes e séries de época), que esconde na sua estrutura desequilibrada uma sede de poder e de excessiva autoridade, onde os alunos mais velhos aliam-se aos tutores e às altas individualidades que dirigem, com mão de ferro, este colégio reputadíssimo, para fazer…

A Recordar: Dirk Bogarde

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Tímido e reservado na vida real, Dirk Bogarde revelou, no grande ecrã, uma vastidão de transformações físicas e psicológicas surpreendentes ao longo de mais de quatro décadas de carreira no cinema. O público recorda-o por uma meia dúzia de personagens memoráveis, mas Bogarde foi mais longe do que a opinião pública pretende apregoar: do drama à comédia, ele desdobrou-se em papéis distintos que revelaram inúmeras facetas e máscaras do seu talento que, ainda hoje, permanece impecável e que merece ser sempre recordado.
Escrevi mais um texto para a rubrica "A Recordar", que podem ler, na íntegra, no Espalha Factos.

17 filmes de Ingmar Bergman em DVD até ao final do ano

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Depois da passagem por vários Cinemas do país, 17 filmes de Ingmar Bergman chegam agora ao mercado do DVD, com versões restauradas, e alguns dos títulos são inéditos no home-video em Portugal. Mais informações no Espalha Factos!

O Salão de Jimmy (Jimmy's Hall) [2014]

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Ken Loach regressa com mais um filme sobre política e as diferentes gerações que compõem uma sociedade em choque, confrontada com as mudanças provocadas pelo progresso e pelas novas mentalidades. O Salão de Jimmy é um pequeno e agradável filme que estreia hoje no nosso país, numa distribuição da Leopardo Filmes
São vários os filmes que utilizaram a dicotomia entre a tradição e a modernidade na criação das suas histórias, personagens e circunstâncias. Casos de excelência como o célebre Inherit the Wind, de Stanley Kramer, um feroz estudo sobre o fanatismo e a irracionalidade da crença, e a desconstrução das subculturas juvenis feita em This is England – Isto é Inglaterra, de Shane Meadows, são dois impecáveis exemplos da eficácia e importância dessa temática no Cinema, e que condiciona, de maneira tão forte, as relações humanas. O choque entre o conservadorismo e a rebeldia (como tão bem sublinha a personagem de James Dean no inesquecível Fúria de Viver, de Nicholas Ray) é uma consta…

Alfred Hitchcock: 5 filmes subvalorizados

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Vários são os filmes do realizador, vulgarmente intitulado como "o Mestre do Suspense", que surgem numa multiplicidade de tops e listas cinéfilas oriundas dos quatro cantos do mundo. Seja a aventura trepidante de espionagem de «Intriga Internacional», o horror psicológico de «Psycho» e a obsessão pela ilusão de «Vertigo» (que agora não consegue livrar-se do rótulo de "Melhor Filme de Todos os Tempos", graças à famigerada lista da revista Sight and Sound), Hitchcock é um realizador presente na memória e crescimento de várias gerações de cinéfilos e de realizadores. Contudo, e apesar de nessas ditas selecções dos mais grandiosos títulos da história do Cinema (com critérios mais ou menos duvidosos - como os da Empire, nas suas listas dos 500 e dos 301 melhores filmes de sempre), existem uns quantos títulos do cineasta que permanecem escondidos do grande público - ou pelo menos, desvalorizados por uma boa parte do mesmo. Ou porque estavam à espera de encontrar um hitc…

Robin Williams: 10 grandes personagens

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Actor multifacetado e original, Robin Williams começou na comédia (e com um grande êxito na TV, com a série Mork & Mindy, spin-off do popular Happy Days), mas a pouco e pouco, a sua carreira demonstrou que o ator não tinha apenas talento para fazer rir, com os seus improvisos explosivos e a sua enorme capacidade de inventar e desconstruir personagens e situações bizarras do quotidiano. No Cinema, Williams foi mais longe e brindou-nos com óptimas prestações humorísticas, dramáticas, sombrias e duvidosas.
O Espalha-Factos recorda o trabalho do génio através de uma selecção de dez dos seus melhores papéis no cinema. Uma lista para recordar os momentos mais altos de uma carreira atribulada, mas que marcou a cultura popular. Da minha parte estão Um Russo em Nova Iorque, Bom Dia, Vietname, As Faces de Harry e Insomnia. Podem ler o artigo aqui.

A Viagem dos Cem Passos (The Hundred-Foot Journey) [2014]

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O novo filme de Lasse Hallström é uma simpática, mas vulgar, incorreta e desinspirada abordagem ao mundo da cozinha, através de um conto de fadas desnecessário que, apesar disso, conseguimos ver com algum deleite.
Conta com produção de Oprah Winfrey e Steven Spielberg, e a história é assinada por Steven Knight, a partir de um suposto best-seller mundial. Mas talvez A Viagem dos Cem Passos não precisasse de tão altas individualidades a cooperarem na sua execução, porque o resultado final poderia muito bem ser da autoria de qualquer tarefeiro menor da indústria cinematográfica. É estranho ver o autor do incrível Locke a escrever um argumento com muitas pontas soltas e formatado, mas esse tipo de história adequa-se perfeitamente ao seu realizador, que volta a pegar em temas e construções narrativas básicas e muito lineares, como antigamente, onde o charme e o encanto assumem o papel principal. Mas afinal, quem ainda se lembra do banalíssimo Chocolate (que apenas vivia da química forçada…

15 filmes para o Verão

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São quinze as sugestões que eu, o Diogo Simão e a Rosalinda Ova propomos para estes dias de intenso calor. Da minha parte, podem encontrar nesta lista filmes de Billy Wilder, Don Siegel, Sergio Leone, Louis Malle e Woody Allen. Uma selecção para todos os gostos, que pode ser lida aqui.

Nunca Digas Nunca (And So It Goes) [2014]

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É uma típica história de amor e de desilusões face ao envelhecimento, como Hollywood sempre gostou de utilizar para fazer reaparecer algumas das suas maiores estrelas (recorde-se o exemplo, muito mais interessante, de A Casa do Lago, com Katharine Hepburn e Henry Fonda). E lembremo-nos que não é o cliché de uma narrativa que a pode tornar desinteressante – poderíamos trazer a discussão algumas boas dezenas de trabalhos de realizadores conceituados, que pegam em velhos chavões das histórias do cinema e que fazem, com elas, filmes que se tornaram mais originais do que poderiam aparentar. 
Mas o objetivo de Nunca Digas Nunca não é esse, desde o princípio. E não há mal nenhum nisso. Se virmos o trailer com atenção, esta parece ser uma comédia totalmente light, sem qualquer tipo de propósitos intelectuais ou criativos, e que não sendo das melhores dessa categoria, poderia até trazer um bom tempo de entretenimento razoável, onde os atores se divertem à grande, elaborado de forma eficaz e c…

A transição entre camadas pode gerar uma pequena pausa

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Olho para a quantidade exuberante de posts que escrevi para este blog em julho e agosto do ano passado e fico surpreendido, e desiludido com aquilo que agora faço, e que me deixa algo triste por não ser aquilo que era antes (pelo menos neste blog). É certo que esse Verão foi outro... mas este está a ser extremamente pouco produtivo. Fora as coisas para o Espalha Factos (que têm saído com resultados cada vez mais abaixo do pouco nível que eu já consegui chegar noutras alturas), não tenho tido paciência, ou grande inspiração (porque tempo é coisa que não me falta) para mandar mais regularmente neste estaminé as habituais postas de pescada. E tenho pena, porque era um hobbie que me dava imenso gozo - e que agora, não sei porquê, não consigo concretizar. Tento começar várias críticas e nada tem saído. E os posts da rubrica dos QUEEN têm sido completamente maus, e por isso peço que me perdoem estas andanças.
Mas não consigo aguentar muito mais, pelo menos por agora. Ao contrário de muitos…

Os discos dos QUEEN - The Game [1980]

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A começar a década de 80, que trouxe tantas promessas, fracassos e bizarrias que se tornaram um legado insubstituível do mundo da música, os QUEEN lançam «The Game», um dos seus álbuns mais curtos, e que é também mais uma das suas curiosidades discográficas que permanecem escondidas do grande público (mesmo que tenha dois dos temas mais conhecidos da banda, «Another One Bites the Dust» e «Crazy Little Thing Called Love»). Foi o único disco do grupo a alcançar o número 1 do top de vendas nos EUA (e isso explica-se pelo seu lado comercial muito mais apelativo), e o primeiro em que os quatro quebraram a promessa de não utilizarem sintetizadores nas suas canções (em todos os álbuns anteriores encontramos uma inscrição, "No Synthesisers!", que parece mostrar o orgulho dos QUEEN em não terem esse tipo de sonoridades nas suas canções, criando o seu próprio estilo criativo com outras experimentações vocais e instrumentais), e isso cria uma grande diferença para «The Game»: é um álb…

Belém (Bethlehem) [2013]

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A Alambique lança entre nós mais um filme impressionante sobre o conflito israelo-palestiniano, duas semanas depois da chegada de Omar, nomeado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, às salas portuguesas. Belém é um drama intenso e uma fortíssima estreia na realização de um grande novo talento do cinema.
Seguindo a melhor tradição dos filmes densos e sofisticados de Michael Mann (onde as emoções entre os dois lados da Lei se confundem num jogo de poder, destruição e chantagem mútuo), Belém reflete o ambiente de tensão entre Israel e Palestina, numa realidade bélica cujas proporções trágicas conhecemos cada vez melhor graças ao pouco que conseguimos saber através dos meios de comunicação social. Tal como tudo o resto, a situação delicada que envolve os dois países gera uma série de consequências e condicionantes, que se traduzem na atitude das personagens, nas suas defesas e nos seus ataques, numa narrativa sólida e construída de uma maneira eficaz e original.
E neste poderoso filme, …