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A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

Whiplash - Nos Limites [2014]

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‘Whiplash – Nos Limites’ é um olhar distinto e imaginativo sobre o mundo da música e dos seus bastidores. 
Uma das boas surpresas de janeiro encontra-se num filme que tinha tudo para ser banal e passar despercebido. Whiplash – Nos Limites consegue ser muito mais do que uma história sobre a relação entre um rapaz aspirante a baterista profissional, e o seu inescrupuloso mentor, um especialista na matéria que utiliza métodos muito pouco ortodoxos (e excessivamente violentos, acrescentamos) para incutir vários ensinamentos profissionais no seu grupo muito seleto de estudantes. É uma jornada única, que envolve o choque entre duas pessoas em tudo diferentes, mas que estão ligadas por algo em comum: uma gigantesca paixão pela música, que os move e faz pulsar, constantemente. Tanto para o bem, como para o mal.
Leiam a crítica integral na Máquina de Escrever.

Em Nome do Povo Italiano (In Nome del Popolo Italiano) [1971]

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Pietà e potere non vanno d'accordo.
Falar de Dino Risi e não citar o filme mais famoso por ele realizado, o magnífico «Il Sorpasso», revela-se uma atitude tão injusta como, por exemplo, esquecer «Persona» quando se quer explorar Ingmar Bergman, ou de desprezar «The Searchers» é o tema de conversa. E como é sabido (pelo menos, para todos aqueles que viram essa comédia road-movie, uma fascinante análise à sociedade italiana através das andanças mais ou menos turísticas de um duo improvável de protagonistas), o filme de Risi termina a sua jornada humorística com o desfecho mais trágico, e por isso, menos previsível, que uma comédia poderia possuir. Esse final, que contrasta, em grande medida, com todo o desfile de gags e euforia que fomos acompanhando até então, atribui à história um tom dramático e amargo que troca completamente as voltas ao espectador.

Neste «Em Nome do Povo Italiano», filme quase desconhecido em Portugal, mas que se revela ser uma comédia tão interessante como «Il…

Blackhat: Ameaça na Rede [2015]

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Confronto de piratas num mundo cibernético e desumano 
‘Blackhat – Ameaça na Rede’ é um filme de ação sobre um tema cada vez mais presente no nosso quotidiano. Mas se enquadrarmos na filmografia de Michael Mann, não passa de uma desilusão. 
Um dos realizadores de culto do cinema americano regressa com Blackhat – Ameaça na Rede filme que, como o nome sugere, lida com o mundo cibernético. Ao contar a história de um hacker que é contratado para impedir as ações de um Blackhat (ou por outras palavras, um pirata informático que tem intenções terroristas), somos confrontados com o poder da internet. O tema não está trabalhado da maneira mais singular, uma vez que haveria por aí outros casos bem mais interessantes se a ideia era aprofundar a exploração dos efeitos perigosos, quase fatais, que a web pode envolver nas nossas atitudes e relações neste nosso mundo contemporâneo.
Leiam a crítica integral na Máquina de Escrever.

Literatura: O Homem Duplo (A Scanner Darkly) [1977]

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O grande romance sobre a droga não se encontra entre os títulos de maior culto da malta jovem (refiro-me, por exemplo, a «A Lua de Joana» e «Os Filhos da Droga»), mas nesta história (pouco) futurista onde, numa mistura com crítica social e política, se desfazem e se refazem os mitos das consequências do vício. «A Scanner Darkly» é uma obra enigmática, que lida com uma crise de identidade tão forte, e tão persistente, que o próprio leitor poderá, por muitas vezes, duvidar das ideias que está a tirar da história, e ficar confuso e sentir-se também vítima das fortes alucinações e perturbações que Fred/Bob Arctor sente ao longo da história, numa demanda entre o mundo da Lei e o lado da escória viciada. No meio de uma intriga aparentemente banal, há passagens lindíssimas sobre a humanidade e os seus múltiplos instintos, uma dissecação dos valores sociais, e uma série de citações de Goethe (autor cuja utilização na narrativa não foi de todo aleatória). Philip K. Dick diz desde logo que tud…

O Jogo da Imitação (The Imitation Game) [2014]

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São os filmes que valentemente se dizem ser “baseados em histórias verídicas” aqueles que menos se conseguem assumir como “realistas” junto dos espectadores. Esta é uma moda que já tem os seus anos, mas que ganhou uma revolução em tempos mais recentes, iludindo milhões de pessoas quanto à verdadeira… veracidade das histórias utilizadas nesse tipo de dramas (porque muitos destes filmes “reais” têm tanto disso, de realidade, como qualquer filme de ficção científica). E O Jogo da Imitação é isso mesmo.
Podem ler a minha opinião na íntegra, mais a do Nuno Carvalho, na Máquina de Escrever.

Mais memórias de Chaplin no Cinema Ideal

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Em dezembro regressaram O Garoto de Charlot e A Quimera do Ouro. E em 2015, o Cinema Ideal volta apostar em Chaplin, e os espectadores poderão ver ou rever, em novas cópias digitais, Tempos Modernos e O Grande Ditador, obras muito mais longas e complexas na sua dimensão social.  Uma óptima sugestão cultural para 2015. Mais informações na Máquina de Escrever.

Sobre os Óscares...

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As nomeações aos Óscares nada revelam de novo, em relação às intenções e critérios da Academia, e reforçam, aliás, todos os estereótipos que a ela temos associado nos últimos anos. Muitos dos filmes favoritos noutras cerimónias de prémios conquistaram aqui o seu lugar, e cumpre-se o espaço dedicado a “outros” filmes na categoria principal, com a inclusão de Selma e Whiplash – Nos Limites – que embora, como tão bem sabemos, irão sair da gala de mãos a abanar, a Academia sabe que lhe “fica bem” colocar esses nomeados junto dos verdadeiros vencedores para a Academia (algo semelhante com a animação de Isao Takahata na categoria respetiva). 
Como sempre, há ótimos títulos que ficaram de fora (como Nightcrawler – Repórter da Noite, reduzido apenas à categoria de Melhor Argumento Original, e a exclusão de O Filme Lego da Animação) e algumas distinções que, à primeira vista, nos parecem ridículas (como Meryl Streep a receber, como manda a tradição, mais uma nomeação para um papel que nem mer…

Foxcatcher [2014]

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Mais do que uma história sobre os meandros do atletismo, o novo filme de Bennett Miller fala-nos de uma personalidade obscura e da sua obsessão pelo poder dos media.
Depois de dissecar as drásticas consequências do processo “criativo” que levou Truman Capote a escrever A Sangue Frio (no filme Capote), e de analisar a relação cada vez mais intensa que une o desporto e as potencialidades dos meios informáticos (em Moneyball – Jogada de Risco), o realizador Bennett Miller decidiu pegar numa outra história verídica, mas com contornos bem mais obscuros que as duas anteriores. Com ela, Miller explora os contornos da mediatização das relações humanas, e da maneira como podemos ser facilmente levados a acreditar na maior e mais complexa das mentiras.
Leiam a crítica integral na Máquina de Escrever.

O Farrapo Humano (The Lost Weekend) [1945]

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Ora aqui vai: o site "Máquina de Escrever" abriu hoje à meia-noite, e para lá já tinha escrito duas curtas críticas (e foram só experiências, espero conseguir fazer coisas melhores daqui para a frente) e um artigo minúsculo. Uma dessas críticas foi a este clássico, que finalmente recebeu uma edição em DVD no nosso país. É com grande honra que anuncio o "nascimento" deste site, cujas novidades podem ser acompanhadas diariamente via Facebook e Twitter.
Este pequeno texto que escrevi, sobre uma verdadeira obra prima do Cinema (e que é um dos melhores filmes do senhor Billy Wilder), pode ser lido aqui.

Filmes em 60 segundos: Cai a Noite Sobre a Cidade (Un Flic) [1972]

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«Un Flic» foi o filme que encerrou, em grande, o percurso artístico traçado por Jean-Pierre Melville, espalhado em tantas e distintas longas-metragens. Tem uma história com elementos comuns às anteriores investidas do realizador (um assalto organizado, um conflito entre a Lei e o Crime, o existencialismo dos actos aparentemente banais das personagens), mas não existe um equilíbrio tão bem orquestrado entre cada figura da narrativa e os desenvolvimentos que se sucedem – algo verificável no extraordinário «L’ Armée des Ombres» e no character study pouco óbvio de «Le Samourai» (referenciado, em jeito de auto-paródia, num pequeno pormenor cénico). Na montagem, a utilização constante de planos-relâmpago (que nem duram mais de um segundo) cria um ambiente peculiar nas cenas de maior tensão, mas mesmo que não seja eficaz, não danifica os propósitos da trama (que se acompanha com deleite) e das interpretações, que honram o que de melhor possuiu o universo Melvilliano.
★ ★ ★ ★

Sobre os TCN

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Apesar da escrita ser uma das minhas essenciais ferramentas existenciais, torna-se difícil expressar, através dela (e tal como me aconteceu com o oposto, com a expressão oral, diante da plateia que compôs o Deliart Caffé no passado dia 10) tudo aquilo que gostaria verdadeiramente de dizer e de agradecer, no que diz respeito aos TCN Blog Awards 2014 e aos dois prémios (completamente inesperados, principalmente o de Blogger do Ano) que recebi nessa cerimónia. 
Mas talvez ainda consigo dizer qualquer coisa sobre este ano de TCN - e que foi o melhor, entre as três edições em que pude até hoje estar presente. Não vai sair nada de jeito, mas é quase impossível mostrar, da maneira mais eficaz, a forma como me sinto emocionado por tudo isto (as lagrimitas na entrega do prémio de Entrevista foram um indício disso). E queria pedir desculpa a todos aqueles que conheço via online e que estavam lá no sábado, e que eu não consegui reconhecer (e até posso ter passado por eles que nem me apercebi). …

Os 10 melhores clássicos que vi em 2014

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E é este o outro top do ano, e que é bem mais importante do que o anterior porque abrange todos os "outros" filmes que vi em 2014. Não queria descrever estes filmes como "antigos", mas a palavra"clássicos" não é de todo desadequada, porque é isso que os dez filmes desta lista, os melhores que vi em 2014, são: títulos inconfundíveis e inesquecíveis que marcaram a História do Cinema, e  que correspondem a verdadeiras obras primas. Não há qualquer ordem, apenas fiz esta lista consoante cada um dos filmes me foi surgindo na memória (porque é dificílimo "arrumar" tão belos filmes em prateleiras tão vulgares como as dessas contagens).

De fora ficaram todos os grandes filmes que vi pela segunda vez, ou alguns até que redescobri como se tratasse de um primeiro visionamento (o melhor de todos, e o que mais gostei, foi sem dúvida «O Exército da Sombra», de Jean-Pierre Melville - como foi tão bom ver um filme completamente diferente daquilo que me lembrav…

A minha última participação no EF Rádio...

EF Rádio #7 - Crime, Oscars, Antevisão TV e Música 2015 by Espalhafactos on Mixcloud É a minha despedida definitiva do Espalha-Factos. Falo do último artigo que escrevi a partir de casa, numa gravação meio ranhosa feita com os recursos informáticos que tenho. Obrigado ao EF por estes meses de trabalho, e até à próxima!

5 grandes filmes que não triunfaram nos Oscars

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Hoje saiu o último artigo que escrevi para o Espalha Factos. E por isso, tem um significado especial, que vai para além do conteúdo do mesmo. E mais ainda porque nele pude incluir o filme da minha vida e falar sobre ele (da maneira mais simplista possível, como já é habitual da minha parte). 
Este artigo marca o fim de uma jornada de 14 meses em que colaborei no site, e nele fiz as mais variadas experiências, que me ajudaram a crescer ao longo de cada nova etapa cumprida. Para terminar, irei participar na emissão de regresso do EF Rádio, esta semana, e comparecer nos TCN Blog Awards. Agora irei partir para um novo projecto, que irá abrir em breve, e este blog estará mais activo nos próximos dias. Mas nunca esquecerei os amigos do EF e todas as coisas que fiz graças a eles. OBRIGADO!
Podem ler a selecção que eu fiz, com 5 grandes filmes que não conquistaram os Prémios da Academia, aqui.
E em breve, mais novidades surgirão.