segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Toda a verdade








Humphrey Bogart diz tudo, num filme curioso e esquecido sobre o mundo do jornalismo.

Deadline U.S.A. - Richard Brooks, 1952

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O melhor que a gente tem


Há um disparate recorrente em muitos textos que se escreveram sobre «Minha Mãe», o último filme de Nanni Moretti: algo como "com este filme, o cineasta chegou à maturidade". É uma ideia ridícula porque quem diz isso é porque não viu com atenção os filmes anteriores de Moretti (e não falo só do dramalhão «O Quarto do Filho»), e depois, porque não é só no drama que se atinge a maturidade (em «Querido Diário», filme que, de certa maneira, explora os dois géneros, já tinha profundidade e seriedade suficientes para afirmar a força do seu cinema). «Minha Mãe» pode ser um drama emocionante sobre a perda e a culpa, mas não é a primeira vez que Moretti lida com estas temáticas, e já falou de coisas bem mais preocupantes e tristes noutros filmes - e, repito, pode-se ser "maturo" com piadas e parvoíce. 

Posto isto, o que há mais a dizer sobre «Minha Mãe»? Ah, sim, é importante falar de outro aspecto: o técnico. Muitos são aqueles que defendem que Moretti está numa fase de "conformismo visual". Ou seja, que dos seus filmes não podemos esperar nenhum feito a nível de realização (ou então, só para chatear o Miguel Ferreira, a "mise-en-scène"). E de facto, os tempos em que o realizador arriscava fazer coisas surpreendentes nesse campo (como aquele longo e silencioso travelling do «Querido Diário», que segue, por alguns minutos, Moretti e a sua Vespa num passeio por Itália sem se passar nada) parecem estar longe. E «Minha Mãe» tem uma montagem que, em certo ponto, se torna mecânica e demasiado convencional. No entanto, o que Moretti perde aí, tem ganho noutra coisa: o lado humano. 

Já «O Quarto do Filho» (filme que esses críticos dizem ser o início desta nova era morettiana) era um murro no estômago emocional, «O Caimão» uma bela (mas quentinha) bofetada à corrupção (não tornando os corruptores e suas vítimas em meras "figuras" do espectáculo), e «Habemus Papam» uma brincadeira inconsequente que dava humanidade a bispos, cardeais e sacerdotes. Mas «Minha Mãe» vai mais fundo. Podemos ser mentirosos como o Johnson's Baby e dizer que não causa lágrimas. Não é por isso que o filme é grandioso, claro, mas se vos disser que esse choro é provocado não por uma certa lamechice manipulada à la Nicholas Sparks, mas pelo que de mais simples encontramos nas emoções das personagens, nos seus arrependimentos e dúvidas... não será isso formidável?

Tem momentos de humor nos sítios certos (e John Turturro cumpre o papel de comic relief do drama do filme com óptimos resultados) e joga bem com as nossas expectativas, esta «Minha Mãe» querida como não há outra na vida. Anda para a frente e para trás no tempo, dá-nos pistas e engana-nos logo a seguir. Esta é mais uma viagem à mente da protagonista e à sua relação com a mãe do que uma homenagem à figura materna propriamente dita, é certo - mas não será por isso que o filme consegue ser tão próximo dos seus espectadores?

Por fim, só uma nota: Margherita Buy, actriz recorrente dos últimos Morettis, tem aqui a sua melhor prestação. E o olhar mais belo de todos os filmes de 2015.

Os últimos Lances de 2015

Aqui vão, de seguida, as últimas três emissões de Um Lance no Escuro em 2015. Na primeira, há uma conversa com um jovem com muito talento para fazer piadas (Manuel Cardoso). Na segunda, a 50.ª da História do Lance, fazemos um especial de bandas sonoras em homenagem ao genial Joe Hisaishi. E na terceira, conversamos com o actor Pedro Lacerda. Seguem os links.



UM LANCE NO ESCURO 40

UM LANCE NO ESCURO 41

UM LANCE NO ESCURO 42

E agora, só voltaremos em 2016, em Março ou Abril, com novos episódios (e quiçá, os últimos, definitivamente?). Entretanto, um novo programa está a ser feito, e irá estrear no início do próximo ano. Obrigado a todos os que têm apoiado este programa. Cinquenta e uma emissões que marcam uma das coisas que me dá mais gozo fazer. Até para o ano!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

De cor e salteado

































Quando o imigrante sabe mais sobre o país do que os seus nativos. Ou: quando o mordomo inglês (Charles Laughton) é o único a conhecer, na íntegra, o discurso de Lincoln em Gettysburg, momento histórico que nenhum dos americanos presentes naquela espécie de "saloon" tem na ponta da língua. Ou: um grande momento de Cinema.

Ruggles of Red Gap - Leo McCarey, 1935